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INVENTÁRIO DOS ÓRGÃOS DE PORTUGAL
INTRODUÇÃO

Este acervo seria inexequível sem a cooperação de particulares, agentes litúrgicos, instituições e igrejas que facultam os devidos dados técnicos e testemunhos fotográficos de cada um dos instrumentos que possuem ou com os quais vão contactando. Por isso a sua colaboração é importante.

ESTRUTURA E CRITÉRIOS DO INVENTÁRIO

O inventário do património organístico português que nos propomos cumprir encontra-se estruturado em páginas para cada um dos distritos de Portugal continental e Regiões Autónomas, através das seguintes indicações:

Lista de municípios

< À frente do nome de cada distrito e município é dada a soma do número de instrumentos existentes em cada.

< Quando um município não verifica existência de instrumentos a sua secção tem sombra cinzenta.

Edifício

< Cada instrumento é indicado segundo uma entrada com o nome do edifício onde se encontra instalado.

< Dado que a maioria dos órgãos se encontra em edifícios religiosos, são indicadas as várias designações pelas quais se conhece um mesmo templo, casos em que também é indicado entre parêntesis recto o nome do orago da freguesia que muitas vezes empresta o seu nome ao templo.

< A igreja que tem jurisdição eclesiástica sobre as outras da mesma freguesia chama-se matriz, embora tenha caído na rotina chamar-se paroquial, acaba por ser errado, porque o adjectivo paroquial significa tudo o que é relativo ou pertencente a uma paróquia, pelo que não serve como termo indicativo da proeminência de uma igreja num contexto territorial.

< Os termos e Catedral são sinónimos, pelo que o seu emprego simultâneo, embora muito rotineiro, resulta numa redundância.

< No que diz respeito ao espaço interior do templo, o lado do Evangelho refere-se ao lado esquerdo do observador que está de frente para o altar e o lado da Epístola ao lado direito.

Tipo de órgão / composição sumária

< Cada órgão aparece sinteticamente classificado através de uma fórmula constituída por: estilo do órgão; número de manuais / existência ou não de pedaleira / número de registos.

< Exemplo: II / P / 6 significa que o órgão tem 2 manuais, pedaleira e 6 registos; esta descrição sumária permite uma percepção imediata das características técnicas do instrumento em causa.

< No caso de não-existência de pedaleira o símbolo P é omitido; no caso de a pedaleira não ser uma secção autónoma e estar apenas acoplada aos manuais, usa-se o símbolo Pa.

< No caso de meios-registos, a soma relativa aos registos das metades aguda e grave do manual é indicada dentro de um parêntesis, significando que formam um conjunto.

Data de construção / autor

< As datas apresentadas referem-se ao ano de conclusão das intervenções.

< O nome dos organeiros será sempre que possível apresentado de acordo com o original e sem actualização ortográfica.

< Os dados biográficos de muitos autores encontram-se ainda por estudar, inclusive as suas origem e naturalidade ou até o próprio nome, pelo que por vezes defrontam-se diversas variantes de um mesmo apelido ou nome.

< Não esquecer que era comum em séculos passados fazer-se o aportuguesamento de um nome estrangeiro como são os casos de Pascoal Caetano Oldovino, talvez Pasquale Gaetano Oldovini; Miguel Hensberg que seria Michael Hensberg; era um procedimento vulgar e inócuo na época.

< Outros autores há, cuja origem espanhola ou portuguesa não se sabe ao certo, e que vêem os seus nomes escritos de duas ou mais formas diferentes.

Último restauro relevante

< O conhecimento dos restauros e intervenções, datas, organeiros intervenientes, entidades promotoras e responsáveis pela manutenção é um factor de responsabilização.

< Os restauros vão todos indicados embora nem todos possam ser considerados como tal, uma vez violados os critérios estipulados universalmente pelos especialistas para intervenções desse tipo.

< É de referir que existem diversos tipos de intervenções de que um órgão é passível, embora os seus contornos não estejam totalmente delimitados, a saber: montagem e desmontagem; manutenção; reparação; recuperação; restauro.

CRITÉRIOS DA ESTRUTURA DAS TABELAS DE COMPOSIÇÃO

< Existem listas de registos feitas a partir do esquema de disposição dos manúbrios na consola, ou por ordem da sua numeração. Nas nossas tabelas de composição, os registos serão dispostos segundo os seguintes critérios:

< Plano das várias secções do instrumento e sua extensão: na tabela, cada secção do órgão, sempre que possível nomeada, e perfeitamente identificada quanto à sua extensão e numero de notas, é segmentada em linhas correspondentes aos vários registos que a constituem.

< Elencam-se os registos por ordem de altura, do grave para o agudo; sendo vários da mesma altura: 1º principais; 2º flautas; 3º cordas, híbridos e oscilantes; 4º registos compostos, também do mais grave para o mais agudo; 5º registos palhetados; 6º registos especiais; 7º registos de efeito.

< Os registos palhetados são sempre indicados a vermelho; quando possível indicar-se-á também através de diferente cor o material dos tubos constituinte de um registo, exemplo: madeira, metal; os registos de régua alternada aparecem escritos em itálico; os pré-registos são seguidos da indicação vz.

Partição do teclado em órgãos ibéricos

< Existem diferentes designações para as duas partes que resultam da partição do teclado. Tem sido comum utilizar-se designações de mão esquerda e mão direita . Nós optamos pelas designações baixo e tiple.

< Esta escolha decorre do facto de considerarmos que cada parte do teclado está afecta a determinadas vozes da estrutura harmónica das peças e não afectas a uma das mãos. Isto porque, aparece a mão direita a tocar por vezes também na metade mais grave do teclado juntamente com a mão esquerda e vice-versa.

< São exemplo, nas composições ibéricas, as passagens em que a voz solista é interrompido e a mão direita intervém na execução das outras vozes na parte grave do teclado e vice-versa, sendo que a própria estrutura da composição prevê esse recurso, pelo que nesse caso tornar-se-ia inviável tocar o que está escrito sem o auxílio expresso da mão direita.

< Tiple é a designação histórica de soprano ou discante.

Intervenções

< Há órgãos que foram alvo de modificações do estado primitivo/original, com alterações de nomenclatura, substituição de registos e desrespeito pelos critérios que devem presidir ao restauro de órgãos históricos.

< Em diversos órgãos históricos há incongruências na nomenclatura dos registos; por exemplo, em registos compostos do mesmo órgão, ora se diz filas, ora se diz vozes; ou a altura, ora aparece em palmos, ora em pés.

< As informações presentes, que por enquanto não devem ser ocultadas do público, estão sujeitas a correcção no caso de os mesmos órgãos virem a ser efectivamente restaurados. A Meloteca não pretende ser nem é juiz dos trabalhos feitos nesta área. Para os maus trabalhos, justificados por falta de verbas, os próprios instrumentos, através da sua sonoridade e funcionamento, falarão por si.

BIBLIOGRAFIA EXISTENTE

Como já referido noutras páginas há documentos publicados que não levamos em conta porque veiculam erros e contêm imprecisões. Este é um trabalho que resulta da comparação das várias fontes, da pesquisa in loco ou feito através de contactos. Portanto, os conteúdos do quadro da composição não resultam especificamente da bibliografia citada.

A lista da bibliografia que indicamos no final constitui-se apenas como a súmula do que em suporte literário existe publicado sobre o instrumento em causa, mas que nem sempre serviu como fonte das informações por nós publicadas, nem tão pouco serve como referência neste domínio científico.

Nuno Mimoso, Julho 2009

 
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Investigação e catalogação de Nuno Mimoso / Desenho de António José Ferreira