MELOTECA SÍTIO DE MÚSICAS E ARTES
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2003-2008
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ÓRGÃOS DE TUBOS EM PORTUGAL

00. Se tiver novos elementos sobre esta secção, tenha a bondade de os enviar para Nuno Mimoso, nuno_mimoso@hotmail.com.

01. A Organoteca pretende ser um espaço cada vez mais completo de formação e informação sobre Organística, com mais e melhores textos, artigos, fotos, composição e dados históricos.

02. Relativamente à composição dos órgãos, há listas que apresentam os registos por ordem de puxadores na consola ou por ordem da numeração dos mesmos na consola. Por motivos lógicos e organológicos, nas tabelas de composição dos órgãos tendemos a dispor os registos do seguinte modo:

a) Por ordem de altura, do grave para o agudo: 32', 16', 8', 4', 2 2/3', 2, 1 1/3, 1 1/5, 1;
b) Sendo vários da mesma altura, temos: 1º flautado, 2º flauta, 3º corda/oscilante;
c) mutações compostas;
d) misturas (cheios ibéricos), do mais grave para o mais agudo. Por exemplo, a Címbala é uma mistura aguda e a Recímbala é ainda mais aguda que a Címbala embora possa não ter tantas filas.
e) palhetados, também por ordem de altura e por força de timbre.
f) registos especiais (passarinhos, tambores).

03. Em várias publicações (inclusive em programas de concertos inaugurais de restauros), há informações divergentes de outras publicações impressas. Os livros sobre organística publicados em Portugal têm lacunas e erros. A edição digital permite que, pouco a pouco, se vá confrontando essas versões de modo encontrar-se o maior rigor.

04. Há órgãos que foram alvo de modificações do estado primitivo/original, com alterações de nomenclatura, substituição de registos e desrespeito pelos critérios que devem presidir ao restauro de órgãos históricos. As informações presentes, embora não devam ser ocultadas do público, estão de per si sujeitas a correcção no caso de os mesmos órgãos virem a ser efectivamente restaurados.

05. Em diversos órgãos históricos há incongruências na nomenclatura dos registos. Por exemplo, em registos compostos do mesmo órgão, ora se diz   filas,  ora se diz vozes. Além disso, no mesmo órgão ibérico, a altura ora aparece em palmos (medida ibérica), ora é dada em pés.

06. O conhecimento dos restauros e intervenções, datas, organeiros intervenientes, entidades promotoras e responsáveis pela manutenção é um factor de responsabilização.

07. As datas apresentadas para cada órgão são normalmente as datas em que foram concluídos a construção ou o restauro.

08. A descrição sumária do tipo II/P/6 permite uma rápida percepção das características do órgãos, significando neste caso que o órgão tem dois manuais e pedal e 6 registos.

09. No que se refere à colocação no espaço da igreja, o "lado do Evangelho" significa à esquerda do observador, sendo o "lado da Epístola" o lado direito do observador.

10. Haverá para cada órgão uma perspectiva fotográfica cada mais completa: perspectiva geral do órgão desde o  corpo da igreja, ou do lugar onde se insere, fotos da caixa do órgão, da fachada, da consola  (manuais, pedaleira, registos) e de aspectos específicos como trombetas em chamada em órgãos ibéricos, oitavas curtas, pedais auxiliares,  elementos decorativos.

11. Pascoal Caetano Oldovino é o aportuguesamento do nome italiano Pasquale Gaetano Oldovini, organeiro. Recorde-se a ópera "Don Pasquale", de Gaetano Donizetti. O mesmo processo linguístico acontece com o construtor do órgão do Bom Jesus do Matosinhos, que é Michael Hensberg e não Miguel. Oldovini é de origem italiana, e constrói em Portugal os seus orgãos segundo os princípios da organaria italiana do tempo (até as caixas têm um estética de influência italiana).

12. Verificamos que muitos instrumentos antigos foram remodelados anos mais tarde, pelo que somos confrontados com a ambiguidade do critério de co-existência de registos inteiros e partidos (meios-registos), pelo que estes últimos decerto teriam sido introduzidos ulteriormente; até mesmo alguns dos primeiros teriam sido partidos para o efeito (no fundo os organeiros ibéricos que remodelavam acabavam era por dividir o someiro e pôr duas réguas (corrediças) para cada lado).

13. Das duas partes que resultam da partição do teclado, é comum ver-se as designações de "mão esquerda" e "mão direita". Há organeiros que dizem "mão esquerda" e "mão direita", como os antigos organeiros (no que aparece escrito) escreviam "mão destra" ou dextra. Julgamos ser tecnicamente mais correcta a nomenclatura: baixo + tiples (ou soprano ou discante). Esta escolha decorre do facto de, nas composições ibéricas, aparecer, por vezes, a mão direita a tocar na metade mais grave do teclado juntamente com a mão esquerda. São exemplo as passagens em que o soprano é interrompido e a mão direita intervem na execução das vozes mais graves no lado esquerdo do teclado: a própria composição é escrita de modo a que esse recurso seja usado, pelo que nesse caso tornar-se-ia inviável tocar o que está escrito sem o auxílio expresso da mão direita. O mesmo acontece em alguns corais de Bach para órgão, nos quais, quando a linha solista do soprano é interrompida, a mão direita passa a tocar juntamente com a esquerda do acompanhamento. Assim, não nos parece válida a tal designação das partes resultantes da partição do teclado como "a parte da mão esquerda" + "a parte da mão direita". Cada parte do teclado está afecta a uma voz em específico e não a uma mão. Tiples é a designação histórica de soprano.

14. Nas páginas de composições de órgãos, optamos por "Oficina e Escola de Organaria, opus 40, restauro", para não dar erradamente a ideia de que seria o restauro 40. O número de "opus" de Pedro Guimarães inclui construções e reparações, e não apenas restauros. Nas mesmas páginas, a palavra "existente" aplicada a "Bibliografia" não é inútil. De facto, há documentos publicados sobre o órgão em causa que muitas das vezes não levamos em conta porque veiculam erros e contêm imprecisões. Este é um trabalho de pesquisa in loco ou, na maior parte dos casos, feito através de contactos. O quadro da composição não resulta apenas da bibliografia citada.

15. A existência de fotografias e a indicação das fontes é fundamental para o rigor da informação, que passa pelo confronto de diferentes dados.

16. Respeite o nosso trabalho citando a fonte.

17. Para conhecer melhor os órgãos existentes em determinado concelho e distrito, prima as imagens laterais que representam os distritos de Portugal.

Nuno Mimoso/António José Ferreira 2007
TOPO
 
Catalogação de Nuno Mimoso | Grafismo de António José Ferreira