A Organoteca pretende ser um espaço cada vez mais completo de formação e informação sobre o órgão de tubos em Portugal no passado e no presente. Com mais e melhores textos, artigos, fotos, composições e dados históricos, resulta de um vasto trabalho de investigação e compilação de dados técnicos, assumindo-se sobretudo na sua vocação de «Inventário do Património Organístico-Musical Português», pois constitui sem dúvida o mais completo catálogo do parque organístico português produzido até ao momento.
Em prol da democratização do conhecimento, é um trabalho em edição digital, aberta, continuada e gratuita, para divulgação dos conteúdos e proveito de todos. Testemunhamos que tem servido como base a trabalhos académicos; usado também indevidamente como material plagiado, em desrespeito pelas regras de honestidade intelectual, não seria demais relembrar que o respeite, citando a fonte.
Tal como outras secções deste sítio dedicado à musica e às artes em Portugal, a Organoteca encontra-se em permanente construção e aperfeiçoamento. Os frequentes reajustes no formato e na estrutura provam a fecundidade e complexidade deste estudo que para além de revelar naturais vicissitudes - informações incompletas, desactualizadas, eventuais erros que teremos todo o interesse em identificar e corrigir - abre também espaço à colaboração alargada e necessária dos vários agentes civis e religiosos.
A Organoteca subdivide-se presentemente nas seguintes secções:
< Inventário do património organístico português:
listas dos órgãos existentes por ordem de regiões autónomas, distritos, concelhos, edifícios religiosos ou públicos onde se encontram; indicação sumária das características técnicas do instrumento em causa, autor, último restauro relevante; composição, fotos e notas históricas.
< Galeria fotográfica:
panorâmica nacional dos órgãos; caixas notáveis artística e esteticamente em Portugal.
< Organeiros contemporâneos e históricos:
lista de organeiros a exercer actividade em Portugal.
< Organistas contemporâneos:
lista dos organistas diplomados a exercer actividade Portugal.
< Sítios web de temática organística:
hiperligações a órgãos, organeiros, organistas, escolas de relevo internacional na actualidade.
< Noticiário sobre organística:
arquivo de notícias publicadas em diversos meios de comunicação em Portugal ao longo dos últimos anos.
< Bibliografia existente em língua portuguesa:
fontes bibliográficas, livros antigos e recentes de temática organística, escaparate.
< Artigos sobre organística:
notas históricas; critérios para restauro de órgãos históricos; trabalhos científicos sobre a matéria.
< Estórias sobre o órgão:
dois contos sobre a origem, riqueza e importância do órgão.
< Glossário de termos organísticos:
conceitos técnicos, definições, expressões da arte organística.
Fontes
Os livros sobre organística publicados em Portugal encerram lacunas e erros técnicos. A extensão e complexidade técnica do objecto de estudo em causa exige a todos uma prévia aprendizagem dos métodos de construção de um acervo deste tipo. Em várias publicações, inclusive em programas de concertos inaugurais de restauros, as informações divergem. A edição digital permite que, a pouco e pouco, se vá confrontando essas versões de modo encontrar-se o maior rigor.
O material de base ao trabalho de pesquisa reúne opúsculos e programas de concertos; literatura de material discográfico; conteúdo enciclopédico nas áreas da religião, música, arquitectura, restauro etc.; sítios dos organeiros construtores, sobretudo os estrangeiros, referenciais no tratamento dos conteúdos técnicos; sítios dos organeiros restauradores; sítios da Igreja e paróquias portuguesas; informações no turismo da terra em questão; e os muitos livros e publicações elencados na secção Bibliografia.
Outra fonte bastante relevante são as próprias pessoas que connosco colaboram todos os dias, enviando, por correio electrónico, imensas informações, pequenas e grandes, mais testemunhais ou mais técnicas, dados e fotos. Entre elas temos aqueles que colaboram mais intensivamente e a quem queremos deixar aqui o nosso agradecimento, prova de que a Organoteca vive da colaboração de instituições e particulares, organistas, igrejas e entidades municipais.
É um trabalho moroso e de grande complexidade para reunir, compilar e tratar tanta informação e não nos perdermos, por vezes, nas entrelinhas da pouca técnica de quem os escreve; há muitas correcções a fazer e muitos critérios a reformular. A existência de fotografias e a indicação das fontes é fundamental para o rigor da informação, que passa pelo confronto de diferentes dados.
Intervenções
Muitos instrumentos antigos foram remodelados anos mais tarde, pelo que somos confrontados com a ambiguidade de critérios. Antigamente não havia o conceito de preservar o estado original de um instrumento ou o restaurar de acordo com as suas características primitivas: na maioria dos casos actualizava-se de acordo com os gostos da época e da corrente estilística dominante.
Também na sequência de restauros actuais se verificam órgãos que foram alvo de modificações do estado primitivo/original, com alterações de nomenclatura de registos, substituição de mecanismos e material primitivo, subversão dos princípios estéticos e estilísticos, que em suma constituem o desrespeito pelos critérios que devem presidir ao restauro de órgãos históricos, critérios esses estipulados internacionalmente pelos maiores peritos na matéria.
Salvaguarda-se que a presente inclusão ou referência a obras de outros autores não qualificados é apenas um método de responsabilização tanto pelo bem como pelo mal consumado, tanto pelos criteriosos restauros como pelos danos causados nos instrumentos e perdas irreversíveis de material histórico.
Muitas informações presentes estão por isso sujeitas a correcção no caso de os mesmos órgãos virem a ser estudados com a devida profundidade e efectivamente restaurados. A Meloteca não se constitui juiz destes casos e por isso procurará conservar o conhecimento dos restauros, reparações ou outras intervenções, datas dos trabalhos, organeiros intervenientes e entidades promotoras, como factor de responsabilização e naturalmente esperando que a História pelos seus próprios meios faça o justo juízo e ilumine o conhecimento futuro sobre a matéria.
Fotos
Como a existência de fotografias é fundamental para documentar as informações veiculadas, serve imediatamente de prova e é fundamental para o rigor da informação, pretendemos para cada órgão um banco fotográfico cada vez mais completo: perspectiva da localização do órgão; conjunto arquitectónico em que se insere; caixa do órgão; fachada; consola; pedaleira; puxadores; tubaria; aspectos específicos de órgãos ibéricos como: chamadas, oitavas curtas, pedais auxiliares; elementos decorativos.
Nuno Mimoso, Julho 2009