Musicoturismo e comunicação

MUSICOTURISMO E COMUNICAÇÃO EM REDE

A Meloteca é um projeto de divulgação musical que engloba o sítio da música e diversas páginas temáticas nas redes sociais, entre elas uma de órgãos, outra de música adaptada, outra de agenda. O projeto, em construção permanente, divulga a arte/ciência musical, património edificado ou editado, músicos e instituições, artigos e estudos, empresas e contactos.

Aqui se encontra quem compõe, quem canta e quem toca, quem dança e quem coreografa, quem ensina e quem investiga, quem promove e quem apoia, quem constrói e onde o faz. Residentes em Portugal ou dispersos pelo mundo, os artistas ficam assim próximos dos fãs e dos agentes musicais.

Nos últimos dez anos, a preocupação dos músicos e das instituições em criar sítios, páginas oficiais e de melhorar a imagem aumentou de modo significativo. Mas há um potencial enorme por explorar. Se a estratégia da música, da arte e do património passa também pela comunicação, pode-se dizer que na rede da Meloteca o acesso se torna mais fácil, rico e global.

Só fideliza visitantes uma página que publica todos os dias conteúdos com interesse, sem perder a objetividade e independência. Por trás do projeto há um longo trabalho, a persistência em pedir e aceitar conexões relevantes nas áreas da música, das artes e da educação. A adesão a grupos permite a divulgação mais rápida junto de milhares de interessados, sem custos além do gasto com tempo.

A Meloteca recebe diariamente pedidos de divulgação de festivais, concertos, oficinas e cursos, nacionais e estrangeiros, e dá o seu apoio à divulgação nas suas redes. A plataforma em construção tem uma secção chamado “Jornal” que será um importante meio de comunicação da música.

Nunca ao longo da história foi feito tanto pelo Estado e por diversas entidades aos níveis da recuperação de órgãos e da construção de instrumentos. Nunca houve formação tão qualificada e descentralizada de organistas em importantes escolas de Portugal e da Europa.

É louvável todo o esforço de restaurar e preservar o património organístico. Mas é fundamental manter boas práticas que ajudem a preservar os órgãos com a utilização regular em concerto e na própria liturgia. É fundamental a sensibilização da comunidade e o apoio financeiro do Estado e de instituições, incluindo a Igreja. A Organoteca é a mais completa fonte de informação sobre órgãos de Portugal, mas pretende transformar-se de modo que a informação alcance muito mais visitantes.

Neste Ano Europeu do Património Cultural há que promover hábitos que levem as populações a reconhecer a importância da sua história. Uma importante parte do que somos hoje deve-se à arte dos nossos antepassados. Faz todo o sentido mantermos esse  legado como um presente especial e utilizar as novas tecnologias de modo eficaz.

O musicoturismo é cada vez mais uma realidade nos países desenvolvidos. Quando vou a um concerto de órgão, sou também turista, aproveito para visitar claustros, aprecio a talha, aprendo e saboreio a gastronomia. Fotografo, corrijo, partilho, publico, edito informação sobre o monumento em que o órgão se encontra.

Muito podemos fazer todos com o recurso a telemóveis que são máquinas fotográficas cada vez melhores. As imagens de qualidade que partilhamos no Facebook, Pinterest, Instagram, inspiram, influenciam e têm peso económico. Contribuem para que a nossa imagem turística seja mais atrativa e diversificada à escala global. Aprendendo com os melhores e publicando a excelência.

Com a nova plataforma será possível fazer melhor, mais atrativo, mais responsivo, mais acessível, num projeto com dois sítios, a Meloteca e o Musorbis. As redes sociais potenciam hoje um número de conexões que há alguns anos era impensável. Mudaram a própria forma de conceber os sítios. Por isso, a Meloteca está em obras profundas de modo a ser mais flexível e adaptável às mudanças, que são rápidas em todos os domínios. Quem não se atualiza é ultrapassado nas suas ideias e projetos.

A comunicação em rede parece revelar uma nova atitude dos músicos portugueses: cada vez mais o seu palco é o mundo. Sérgio Carolino vai tocar e ensinar tuba na Coreia do Sul. João Barradas tanto está na Holanda como no dia seguinte já toca acordeão em França. Nuno Coelho será assistente do aclamado maestro Gustavo Dudamel nos EUA. Elisabete Matos é destaque em grandes teatros de ópera. Nuno Aroso vai lecionar pecussão numa universidade espanhola.

Notícias semelhantes publica a Meloteca todos os dias. Seja em Portugal, seja pelo mundo, a música portuguesa, é uma estrela em ascensão. Pode muito bem acontecer que certas características do povo português, a aptidão para as línguas, a capacidade de adaptação, o caráter afetuoso – aliadas a um alto nível artístico – sejam uma vantagem no competitivo mundo da música internacional.

Com 15 anos a conectar músicos, a Meloteca orgulha-se de acompanhar e promover a vitalidade da música em Portugal – que se deve à excelência dos próprios, às escolas nacionais e estrangeiras e a instituições e bandas filarmónicas cujo nível artístico evoluiu de forma extraordinária.

Há músicos jovens que nasceram em freguesias de concelhos de baixa densidade, entraram para a banda filarmónica, revelaram o seu talento, foram para as melhores escolas e fazem agora carreira internacional. As alternativas eram poucas mas eles venceram e podem inspirar outros portugueses que sentem dificuldades semelhantes num país em que o peso da interioridade é maléfico.

Em parceria com a SmartWood, empresa de construções modulares em madeira, a Meloteca criou o conceito “Harmonia Parque”, que consiste num jardim musical multissensorial, um novo modo de sentir a música em espaços verdes, com solução chave na mão. Em Avintes temos o laboratório desse parque pensado em especial para autarquias. Como tem diversos módulos, pode ser parcialmente construído em espaços de misericórdias, escolas, hospitais.

  • É um conceito de parque acessível a todas as capacidades.
  • Favorece momentos terapêuticos para todos.
  • Promove a vivência prazerosa da música e da exploração sonora.
  • Contribui para a inclusão e bem estar em família e em grupo.
  • Desenvolve capacidades menos desenvolvidas em portadores de deficiência
  • Articula num só espaço a educação, a saúde e a música.
  • É uma atração turística para cidadãos nacionais e estrangeiros.
  • Promove o turismo sénior e a qualidade de vida na Terceira Idade.
  • Estimula práticas ecológicas e atividades saudáveis em contacto com a natureza.

Com a aquisição feita ao longo de 3 décadas e as ofertas de música que vão chegando, o acervo Meloteca vai crescendo e um dia estará fisicamente acessível ao público. Já fomos contactados no sentido de cooperarmos em exposições temporárias e isso afigura-se cada vez mais viável.

2018, Ano Europeu do Património Cultural é assim um tempo cheio de esperança sendo certo que muita coisa está a acontecer todos os dias, graças à comunicação em rede.

António José Ferreira

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