LENDAS, CONTOS, FÁBULAS, MITOS, ESTÓRIAS |
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Uma vez o macaco pegou no violino do patrão e começou a tocar uma música que só ele entendia.
De repente, uma das cordas partiu e tau! bateu-lhe na cara.
O macaco fez uma careta muito feia. Deu um pulo e desatou a guinchar...
O papagaio "Louro", que estava a observar o macaco, deu uma grande gargalhada, palrando assim:
- Ó amigo macaco, agora que cantas é que largas o violino!...
J. Pinto e Silva, Terra Querida

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Era uma vez uma cidade na encosta de uma serra, cheia de jardins com árvores, onde as aves costumavam construir os ninhos, voar de árvore em árvore e chilrear. Nas noites de Verão, famílias costumavam passear e sentar-se nos bancos de jardins, enquanto as crianças brincavam. Perto de um desses jardins, havia uma casa azul com dois vizinhos, o Zé Costica, no rés-do-chão direito e o Manuel Bicas, no rés-do-chão esquerdo. No final da tarde costumavam conversar de janela para janela e ficavam horas a ouvir os pássaros.
Com o Outono vieram os dias cinzentos, o vento frio, as noites cada longas e o cair das folhas. Durante algum tempo, os vizinhos ainda se olhavam de vez em quando, através das janelas, mas a partida dos pássaros deixou-os cada vez mais tristes.
O Zé Costica tinha tantas saudades e vivia tão triste que resolveu comprar uma harmónica e pôr-se a tocar para imitar o chilrear dos pássaros. Ficou tão animado que passou o dia a tocar e nem deu conta que a noite tinha caído. O seu vizinho Manuel Bicas bem tentava dormir mas não conseguia. Irritado, começou aos murros na parede. O Zé Costica ao ouvir os murros na parede, pensou que o seu vizinho estava a gostar do som da harmónica e, animado, continuou a tocar cada vez mais forte.
Logo que amanheceu, o senhor Manuel Bicas foi à loja da música comprar a maior harmónica que havia e, mal entrou em casa, desatou a soprar com quanta força tinha.
Ao ouvir a harmónica, o vizinho Zé ficou aborrecido, resmungou e saiu de casa a correr. Quando voltou, trazia consigo uma caixa de onde tirou um violino. Rapidamente e sem saber muito bem como pegar-lhe começou logo, com movimentos descoordenados, a tocar desvairadamente.
Do outro lado, a resposta não se fez esperar... As paredes da casa tremiam ao som do violoncelo, que mais parecia um serrote de madeira.
Durante algumas noites a desarmonia continuou... Cada noite novos instrumentos se ouviam... Clarinetes, tubas, tambores, pratos, acordeões e flautas... e a vizinhança desesperava sem saber o que havia de fazer para que o sossego voltasse. O caso dos dois vizinhos da casa azul já começava a ser conhecido em toda a cidade e ninguém encontrava solução...
O maestro António que estava de visita à cidade para realizar um concerto, resolveu passear pela rua de que todos falavam... O seu espanto foi tal ao ouvir os sons da casa azul, que resolveu falar com os dois vizinhos. Depois de muitos toques de campainha e de batidas fortes nas portas, o maestro lá conseguiu ter uma conversa com os dois...
Nessa noite, toda a vizinhança conseguiu dormir descansada... Que teria acontecido? Teria o maestro levado todos os instrumentos? Teriam os vizinhos ficado doentes de tanto tocar? Teriam finalmente feito as pazes? Alguns dias depois, um anúncio surgiu por toda a parte:
«Convidam-se todos os interessados em tocar na banda de música da cidade a estarem presentes no salão da cidade às nove da noite. Não é necessário trazer instrumentos».
A curiosidade era tanta, que ao princípio da tarde as pessoas começaram a chegar e quando as nove horas bateram no relógio da torre já uma enorme fila se podia ver ao longo da rua. Velhos... novos... gordos... magros... altos e baixos... todos queriam entrar!!!
O António começou a pôr os instrumentos uns ao lado dos outros e distribuiu as folhas com a música. A um canto do salão Zé Costica e Manuel Bicas trocavam olhares e sorrisos de felicidade.
Já tinha amanhecido quando o maestro, cansado, mas bastante contente, deu por terminada a tarefa.
A partir dessa data, todas as tardes de Outono, quando as folhas caem e os pássaros partem para outras paragens, pode ouvir-se no jardim da cidade, perto da casa de Zé Costica e do Manuel Bicas, uma banda de música que faz companhia a todos que a queiram ouvir... e, por vezes, pode ainda ouvir-se alguém contar a história de uma banda de música que nasceu da zanga de dois vizinhos com saudades do cantar dos pássaros...
Adaptado de "Os Vizinhos da Casa Azul", de Francisca Oliveira e Vera do Vale |
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| A maior amiga da bruxa Cornélia era Sineta, que adorava música e dança. Vivia numa das torres gémeas da igreja da Estrela, junto do grande sino, e adorava ouvir as suas badaladas.
Mesmo em frente, havia um jardim onde as bruxas gostavam de brincar enquanto as crianças dormiam. O Inverno tinha sido muito chuvoso e frio, pelo que a bruxa Sineta decidiu organizar um concerto no jardim, para festejar a chegada da Primavera.
Foram contratados papagaios e patos para tocar instrumentos, enquanto rouxinóis e pintassilgos cantariam em coro. Foram convidadas todas as bruxas, boas e más, mas a bruxa Badalo, que vivia na outra torre da igreja, estava decidida a estragar a festa.
Ao cair da noite, a bruxa Sineta e os amigos prepararam tudo para que o concerto se realizasse ao nascer do sol. No coreto da jardim colocaram cadeiras, estantes, instrumentos e o estrado para o maestro.
Ainda antes do nascer do sol, os pardais foram acordar a bruxa Sineta, dizendo-lhe que os instrumentos tinham sido roubados. Sineta, com as amigas, procuraram por todo o jardim. Do alto da torre, a bruxa Badalo riu-se muito, mas apanhou um ataque de soluços que durou três dias.
As bruxas, com a ajuda dos morcegos, que são rápidos e vêem bem à noite, encontraram os instrumentos escondidos nas árvores e nas estátuas do jardim. Rapidamente colocaram tudo no seu lugar.
Para surpresa de todos, a bruxa Sineta pegou solenemente na batuta de maestro e deu início ao concerto. No momento em que o sol despontava, ouviu-se por todo o jardim a música mais bonita que se podia imaginar, para celebrar a Primavera.
As bruxas bateram muitas palmas e, quando pararam, ouviram-se os soluços da bruxa Badalo, arrependida de ter feito uma maldade tão feia.
"Um concerto no coreto", de Nicha Alvim (adaptado) 
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AMAHL E OS VISITANTES DA NOITE |
Amahl era um menino aleijado que tocava flauta. Um dia, a mãe chamou-o, mas ele pediu para ficar um pouco mais. Obedeceu, mas disse que havia no céu uma estrela tão grande como uma janela. Repreendido por estar sempre a inventar, ouviu da sua mãe a recomendação de deitar cedo, pois no dia seguinte, às primeiras horas, precisariam de lenha e esmolas para obter comida. Finalmente, mãe e filho, adormeceram.
De longe, vem uma procissão. Cânticos revelam que se avizinha a caravana dos três reis magos: Melchior traz ouro; Baltazar, incenso; e Gaspar, uma taça de mirra. Todos vêm reverenciar o glorioso recém-nascido. Mas decidem pernoitar à beira da estrada. O pajem bate à porta da casa. A mãe do menino manda-lhe ir ver quem é. Com grande surpresa, ele vê Gaspar. Pede, então, à mãe que venha com ele para se certificar de que está diante de um rei. Nova repreensão da mãe por prosseguir ele com as suas invenções. Já impaciente, ela manda que o menino veja quem é e lhe diga sem demora. Amahl volta à porta, e para seu espanto maior, vê não um, mas dois reis. E, finalmente, três reis pedem hospedagem no casebre.
A senhora, certificando-se da veracidade da informação de Amahl, quase fica sem saber o que dizer a tão ilustres visitantes. Amahl, vencido o primeiro impacto da surpresa, começa a fazer perguntas aos três magos. A Melchior pergunta se seu sangue é, de facto, azul. Obtida a confirmação, pergunta qual a diferença. - "Nenhuma", responde-lhe Melchior. Qual a vantagem de tê-lo, então?", torna a perguntar Amahl. A Gaspar, que traz um papagaio, pergunta se o bicho morde, e o rei, como resposta, exibe-lhe o dedo enfaixado. Gaspar é um pouco surdo e todas as perguntas devem ser repetidas. Ele traz uma caixa cheia de preciosidades: ouro, pedras valiosas. O soberano mostra-se muito ciumento de sua rica bagagem. Mas oferece algumas pérolas ao deslumbrado Amahl. A mãe do menino mais uma vez o repreende, agora por estar importunando os nobres senhores, e manda que ele vá avisar os pastores da augusta presença.
Saindo Amahl, ela pergunta a si mesma qual será, afinal, a missão daqueles três reis e por que razão teriam eles resolvido pernoitar em casa tão humilde. Daí a momentos, os pastores começam a aproximar-se timidamente dos visitantes reais. Oferecem frutas, trigo e presentes simples. Os reis dão-lhes as boas vindas e, a seguir, todos dançam para divertir os monarcas que se alegram com aquela demonstração de felicidade. Finalmente, pedem para repousar, pois têm de continuar a viagem na manhã seguinte. Aos poucos, os pastores retiram-se e no casebre todos se preparam para dormir.
Amahl, depois da saída dos pastores, aproxima-se de Gaspar e pergunta-lhe se na sua misteriosa bagagem nada há que possa curar um menino aleijado. Gaspar, surdo, não compreende a pergunta e o garoto desiste de voltar a perguntar, acreditando que realmente nada lhe será útil. Por fim, todos adormecem. O pajem fica encarregado de montar guarda ao ouro, mas acaba por adormecer. A mãe de Amahl, à vista de tanto ouro, começa a pensar em quantas coisas poderia comprar para o filho e para ela. Timidamente, arrisca-se a tirar uma peça de ouro, depois outra e mais outra. Mas o pajem acaba acordando e, percebendo o furto, dá o alarme. Avança furiosamente sobre a senhora e é atacado pelas mãozinhas débeis de Amahl. O pobre menino desfalece pelo esforço. Melchior, penalizado, diz à mulher que ela poderá guardar o ouro, pois o rei que vão visitar não necessita dele. Seu reino é construído sobre o Amor.
A mãe de Amahl arrepende-se do seu gesto ao ouvir falar de tão bondoso rei. Procura então um meio de enviar, ela também, uma oferta ao glorioso recém-nascido. Mas nada encontra em seu pobre lar. Amahl diz poder mandar suas muletas e assim dizendo, levanta-se vagarosamente, e com suas próprias forças mantém-se de pé e aos poucos dá um passo; depois outro, e mais outro, sob a admiração geral. Cumpre-se um milagre do Natal! Os reis mostram-se ansiosos por tocar o menino abençoado. E também o pajem, mas Amahl, ainda ressentido, esquiva-se do cumprimento ao pajem, no que é repreendido pela mãe.
Finalmente, reconciliam-se. A alegria, no casebre, é imensa. Todos decidem que o próprio Amahl deverá levar sua oferta ao menino que nasceu em Belém. Quando a ópera termina, Amahl despede-se da mãe, e tocando flauta lidera a procissão que se dirige à cena do Natal.
Ópera de Gian Carlo Menotti

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A CRIANÇA E OS SORTILÉGIOS |
Numa casa da Normandia, há uma lareira acesa, um gato sobre o tapete, um relógio de parede e um esquilo numa gaiola. O menino devia fazer os trabalhos escolares, mas só lhe apetece comer guloseimas e aborrecer os animais. A mãe repreende-o, e ele deita-lhe a língua de fora. Considera-se mau e odeia toda a gente.
Num acesso de mau génio, parte a xícara, rasga o livro, fere o esquilo, puxa o rabo do gato, rasga a cortina e arranca o pêndulo ao relógio. Avança para uma cadeira, mas ela escapa-lhe para junto de uma poltrona. Também o relógio protesta contra o miúdo: sai da parede e toca sempre, sem saber as horas. A xícara e o bule começam a dançar e ameaçam o miúdo rebelde que, aterrorizado, corre em direcção à lareira. Mas o fogo recrimina-o: "- Para trás! Eu aqueço os bons mas queimo os maus!"
Os pastores em miniatura descem das cortinas e executam danças antigas. Uma princesa sai do livro rasgado, dizendo-lhe que foi o primeiro seu amor, mas não se conhecerá o fim da história, porque o livro foi rasgado. Um gato preto salta pela janela e declara a sua paixão a uma gata. Cada animal que fugiu do jardim protesta pelos maus tratos recebidos. As próprias árvores perseguem o garoto, que grita pela mãe.
Ao ver o mal que fizera, começa a tratar os ferimentos dos animais, para espanto de todos. Ao verem que também o menino está ferido, ajudam o miúdo a procurar a mãe. Quando ela chega, encontro-o transformado num menino bom.
Ópera de Maurice Ravel, libreto de Colette

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Há mais de mil anos, num sumptuoso palácio, vivia o imperador da China. À volta do palácio, havia um enorme jardim e uma floresta, de onde se via o mar. Entre as árvores, um rouxinol cantava maravilhosamente. Muitas pessoas iam de longe para ouvi-lo, pois o seu canto dava alegria a todos. Quando a sua fama chegou ao palácio, o iimperador mandou buscá-lo e nomeou-o chefe dos músicos da corte. A partir daí, a vida melhorou no império.
Um dia, o imperador do Japão ofereceu ao monarca chinês um rouxinol mecânico, feito de ouro e de pedras preciosas. As pessoas acharam-no maravilhoso e esqueceram o rouxinol da floresta, que era mais vulgar. Desprezado, o rouxinol saiu do palácio. Na Primavera, as pessoas aperceberam-se que o canto do rouxinol mecânico era monótono e não alegrava ninguém. O próprio imperador da China adoeceu. Quando estava quase a morrer, ouviu o canto do rouxinol da floresta, que regressara para o salvar apesar de ter sido injustiçado. O soberano recuperou a saúde e nomeou-o novamente Músico Chefe da Corte. Mas o rouxinol recusou amavelmente a proposta imperial: valia muito mais a sua floresta do que a gaiola de ouro. Todavia, sempre que fosse necessário, poderia voltar ao palácio, transmitindo bem-estar e paz a todos.
Igor Stravinski

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Em casa de Masha prepara-se a Festa de Ano Novo. O ponto alto das Festas será uma surpresa – uns fantoches. Os pais de Masha apresentam os hóspedes aos participantes da representação: a Boneca, o Soldadito, o Quebra-Nozes, o Rato. O conto de amor da Boneca e do Soldadito, cuja felicidade está ameaçada pelos Ratos, termina felizmente com a ajuda do valente Quebra-Nozes e de Masha. Os hóspedes vão para suas casas. Masha adormece.
As badaladas do relógio anunciam o Ano Novo, uma noite cheia de sonhos maravilhosos e transformações milagrosas. A noite traz a Masha um admirável sonho. As cores da encantadora Festa juntam-se com a riqueza da fantasia infantil e com as emoções da jovem criança no umbral da vida adulta. O Rei Rato esforça-se em vão para impedir a transformação do Quebra-Nozes em Príncipe. O fiel e terno coração de Masha logra que o milagre ocorra: já não temos diante de nós uma boneca, mas sim uma maravilha – a Princesa e o Príncipe. Os namorados estão rodeados dos seus numerosos amigos, as personagens do conto, que venceram o Rei Rato e a sua armada. A Paz, o Amor, a Beleza, o Bem reinam no conto de ano novo e nas almas das suas personagens.
Bailado de Piotr Ilitch Tchaikovsky

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Num dia muito frio, o Pedro foi dar um passeio. Um passarinho voava perto dele. Encontraram um pato - "0lá, pato!" - disseram ambos. O pássaro poisou no chão. Um gato saltou sobre o pássaro. "- Cuidado!" - gritou o Pedro. O gato falhou o salto. E o pássaro voou para cima de uma árvore. "Pedro, vai para casa." - disse o avô. "O lobo anda por aí" Pedro ficou triste.
De facto, o lobo andava por perto. Quando viu o pato, deu um salto sobre ele e comeu-o! O Pedro continuava dentro de casa. Mas o que ele queria mesmo era sair. Pôs-se a espreitar por um buraco. O pássaro e o fato sentaram-se no ramo de uma árvore. O Pedro tinha de os ajudar. Pegou então numa corda. Subiu à árvore e ficou perto do gato e do pássaro. "- Voa até ao lobo" - disse o Pedro ao pássaro. "- Irrita-o, mas tem cuidado!" O lobo ficou furioso. Mas não conseguia apanhar o pássaro. O Pedro fez uma grande laçada na corda. Lançou a corda e apanhou a cauda do lobo. Puxou com força. O lobo ficou pendurado pela cauda. O gato e o pássaro estavam salvos.
Entretanto, chegaram alguns caçadores que andavam à procura do lobo. Viram o Pedro na árvore e o lobo pendurado. O avô chegou. O Pedro e o avô estavam felizes. "- Avô, apanhei o lobo!" O avô ficou muito orgulhoso. O lobo estava morto e o Pedro era um verdadeiro herói!
Sergei Prokofiev

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Orfeu, filho de Apolo e de Calíope, tinha o extraordinário dom da poesia e da música. Com as palavras do seu canto e os sons da sua lira, domesticava os animais selvagens, dava ordens aos rios e ventos, seduzia até as plantas e as pedras. Eurídice, sua mulher, foi, entretanto, mordida por uma serpente escondida entre as ervas, junto ao rio Hebro, quando era perseguida pelo pastor Aristeu, que a queria.
Eurídice morreu, mas não o amor de Orfeu. Tendo como única arma a sua lira, ousou descer aos infernos, espantando as trevas com a sua música. Suplicou a Plutão e Perséfone que devolvessem a vida à sua mulher. Comovidos pelo amor, os deuses concederam-lhe o desejo, na condição de Orfeu não olhar para trás, vendo apenas Eurídice quando chegassem à luz do sol. Mas Orfeu não se conteve: olhou para ver se, efectivamente, Eurídice o seguia, precipitando para sempre na morte a sua amada.
Gluck e outros

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D. Pedro I, gago e homem de temperamento nervoso, casou com Dona Branca, mas o matrimónio foi declarado nulo por incapacidade mental e física da infanta de Castela. Voltou a casar em 1336 com Dona Constança (de Aragão). Como rei de Portugal, procurou exercer a justiça no reino, que fez com decisões, por vezes, implacáveis.
Apaixonou-se cegamente por Inês de Castro, dama de corte da sua mulher. Seduzido pela sua estranha beleza, com ela desfrutou um amor ilícito e politicamente perigoso, visto que um descendente poderia entregar Portugal à coroa de Aragão. Dom Afonso IV, rei de Portugal, consentiu que executassem Inês. A Castro foi decapitada. Dom Pedro levantou armas contra o seu pai, contenda que não se prolongou muito.
Quando chegou ao trono, por morte do pai, pediu a extradição dos homicidas de Inês, dois dos quais foram executados de forma brutal. Apesar de morta, ordenou que Inês fosse reconhecida como sua verdadeira esposa e rainha de Portugal. A trágica história de amor tornou-se uma lenda em diversos países e formas de arte.
Zingarelli, Weber, Persiani, Giordani, Farinelli, Bocherini, Rui Coelho, Rigaud

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Guilherme Tell era um homem pacífico e justo. Amava a sua pátria, a sua família e o seu arco. Embora a sua terra estivesse oprimida, ele tinha uma visão optimista da vida, por estar bem com a sua consciência e não saber até que ponto os tiranos se podem tornar cruéis e arbitrários. Tell acreditava que o bem triunfa sempre sobre o mal. Confiava mais na resistência passiva do que na prática da violência. Ingenuamente pensava que os tiranos acabarão por se cansar das suas atitudes se virem que reina a tranquilidade e a paz. E contudo, não temia tiranos.
Quando a mulher dizia que eles detestam os que praticam a justiça e ama a rectidão, Tell respondia que é por não poderem alcançá-los. Guilherme Tell era um homem solidário e extraordinariamente corajoso quando inocentes eram ameaçados. A opressão que atingia o seu povo, atingiu-o e à sua família. Gessler perseguiu-o diversas vezes, apesar de Tell o ter salvo numa ocasião em que uma tempestade no lago os iria perder, a caminho de uma prisão que seria terrível para Tell. Esperando que seja o próprio Deus a fazer justiça a Gessler, Tell fugiu para as montanhas. Todavia, diante dos ataques a pessoas indefesas, Tell não viu outra solução senão atacar e matar em legítima defesa das crianças, mulheres e velhinhos da sua aldeia. Ao libertar a pátria do seu tirano, Tell colaborou na realização da justiça humana e divina, restabelecendo a ordem moral e a paz que Gessler destruíra.
Gioacchino Rossini

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Os Montecchi e os Cappelletti, duas famílias ilustres de Verona, eram inimigos figadais. Romeu, filho de Montecchi, namorava Rosalina. Mas, ao assistir disfarsado a uma festa em casa dos Cappelletti, apaixonou-se por Julieta. Depois da festa viram como o amor era mútuo e combinaram casar em segredo, o que viria a acontecer com a ajuda de Frei Lourenço.
Mercutio, amigo de Romeu, encontrou Tebaldo da família Cappelletti, furioso e agressivo por ter visto Romeu na festa em sua casa. Romeu responde amistosamente com palavras que deixam subentender o parentesco que já existe entre eles. O seu amigo Mercutio não aceita a submissão de Romeu e desembainha a espada. É morto por Tebaldo, e Romeu acaba por entrar também na contenda, matando, por sua vez, Tebaldo e sendo posteriormente condenado ao desterro.
Depois de passar a noite com Julieta, Romeu deixa Verona e vai para Mântua. Frei Lourenço julga ser a hora de tornar público o matrimónio, pois o pai de Julieta queria obrigá-la a casar com o Conde Paris. O frade aconselha-a a tomar um narcótico que a deixará como morta durante 48 horas. Avisará Romeu, que irá buscá-la ao sepulcro e a levará para Mântua, onde serão felizes para sempre. Todavia, a mensagem nunca chega a Romeu, pois Frei Lourenço é detido no caminho.
Romeu, que toma conhecimento da morte de Julieta, compra um veneno forte e dirige-se ao sepulcro para ver a sua amada, o que consegue depois de matar em duelo o Conde Paris. Romeu beija Julieta e bebe a taça com o veneno. Quando a sua amada acorda e vê Romeu envenenado, percebe que os planos falharam e, não encontrando sentido para a vida, apunhala-se a si mesma. Quando Frei Lourenço chega, a tragédia já está consumada. Tomando conhecimento do ocorrido, as famílias, comovidas com tão grande amor, reconciliam-se finalmente.
Charles Gounod e outros
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