APRESENTAÇÃO
Elementos orais da cultura popular, os trava-línguas são frases e jogos de difícil articulação, e a sua prática remonta a centenas e milhares de anos. A existência de sucessivos sons semelhantes obriga a movimentos sucessivos da língua que aperfeiçoam a dicção e melhoram a leitura oral, individualmente e em grupo: dai o título deste caderno “Destrava a língua”.
Podem ser utilizados como jogo entre amigos e ter um papel interessante no contexto das AEC, desenvolvendo as noções de ritmo e de andamento, e contribuindo para a vivência de cânones rítmicos. Também pode ser interessantes na utilização rítmica de certas consoantes.
É a dificuldade de dizer sem errar que torna os trava-línguas aliciantes, com a sua carga de competição e de vitória. Um andamento lento é importante para as crianças ganharem gosto pelos trava-línguas sem desistirem perante as dificuldades. O grau de dificuldade deve ter em conta a faixa etária e as características dos grupos de crianças.
Há trava-línguas bastante acessíveis, como “A Graça disse à Graça uma graça que não teve graça”. Este, por exemplo, joga com o diferente sentido das palavras, e permite explorar outros aspectos da Língua Portuguesa. Além disso, permite a acumulação progressiva, supressão ou substituição de vocábulos.
Há trava-línguas que são muito difíceis para os próprios adultos, e a sua prática pode ajudá-los também a melhorar a dicção.
A temática, em certos casos, pode ser seleccionada de acordo com a época do ano, como “Descasca a castanha”, para o Outono e o São Martinho, ou “Um ninho de mafagafos” para a Primavera.
Destrava a Língua pretende contribuir para o gosto da Música e da musicalidade, da Língua e da Leitura.
António José Ferreira