MELOTECA SÍTIO DE MÚSICAS E ARTES
 
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Jardim da Música
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BRINCADEIRAS MUSICAIS COM BEBÉS

APRESENTAÇÃO

Tendo em conta os avanços científicos, psico-pedagógicos e musicais, recorre-se cada vez mais à Música para fomentar as potencialidades criadoras e desenvolver todas as faculdades humanas. A arte musical apresenta grandes vantagens em termos cognitivos e comportamentais, incrementa o raciocínio espacio-temporal, o pensamento lógico e a aptidão para as matemáticas, estimula a criatividade e o gosto artístico musical, cria um ambiente calmo em família, tem um efeito positivo nas grávidas, contribui para que a criança chore menos e seja mais calma, torna o bebé mais apto para a língua e a linguagem, para a experiência cativante do belo nas artes, para a escuta ecológica dos sons da natureza.

Na medida em que proporcione calma e descontracção, segurança e conforto, a música estimula o cérebro do bebé e abre-lhe o leque de aptidões intelectuais futuras. As experiências e jogos musicais intuitivos feitos pelas mães, pais, avós e avôs, são hoje corroborados pelas experiências clínicas, os progressos da neurociência e a pesquisa musical. A audição de música torna-se, um factor de desenvolvimento neurológico do bebé, sobretudo quando abarca todo o espectro sonoro audível (20-20000 Hz), sons graves, médios e agudos.

O gosto pela música e o desejo de a realizar devem ser cultivados e desenvolvidos de acordo com as leis da vida humana e musical. A música prepara para a vida e parte da vida de cada pessoa. Música de fundo com regularidade rítmica, melódica e harmónica dá à criança a sensação de bem-estar e de conforto e acalma também a mãe, o pai e todo ambiente familiar. Os primeiros contactos com a música acontecem no âmbito familiar e nos jardins infantis. As canções tradicionais, canções de embalar, música instrumental (com harpa, celesta, violino, viola, violoncelo, clarinete e flauta) são muito importantes nesta fase.

Mesmo que os encarregados de educação não disponham de bases musicais teóricas, podem sempre cantar e pôr a tocar canções de embalar, saltar, divertir, ensinar. As edições de canções tradicionais em CD, DVD, VHS e mesmo CD-Rom aumentaram significativamente nos últimos anos em Portugal, com ampla divulgação nos meios de comunicação de massa - o que torna o acesso dos pais e avós à música muito mais fácil, já sem falar da Web.

Para a criança, o canto não é uma simples imitação: desperta o sentido do ritmo, da melodia e da harmonia, da escala, dos acordes e da tonalidade. Favorece a integração na idiossincrasia do povo e na comunidade em que a criança se encontra. As primeiras canções são naturalmente simples, com pequenos saltos, tendo a mímica um papel importante no seu acompanhamento plástico. Devem ser escolhidas com critério, tendo em conta a pertinência dos textos, melodia, ritmo, intervalos, modos.

Nas famílias em que se ouve apenas música ligeira de qualidade questionável, tanto em termos de texto com em termos de melodia, é natural que seja esse o tipo de canção que a criança cante com os amigos. E é natural também que a audição regular de música clássica em casa e a ida a concertos influenciem nessa linha os gostos musicais da criança.

As canções com intervalos característicos torna-se importantes para mais tarde a criança entender os diversos intervalos melódicos. Além de educarem para o ritmo e a melodia, há canções que de modo particular educam inconscientemente para a harmonia, na medida em que incluem arpejos, são executados em cânone ou têm melodias em terceiras, por exemplo.

O ritmo é organização, número, simetria, medida, proporção, ordem, fazendo parte da própria fisiologia do ser humano que respira, pulsa, anda, trabalha, repousa, fala e se cala. O ritmo binário tem um carácter pendular, mais adaptado à marcha, enquanto o ternário é mais rotatório, giratório, feminino. O compasso é mais adaptado à narrativa, e o 6/8 é especialmente adequado às canções de embalar. Simples exercícios rítmicos podem fazer maravilhas em termos musicais e psicológicos, pela descontracção gerada e pelo efeito salutar no sistema nervoso.

Tendo em conta que a criança até aos sete anos vive sobretudo da sensorialidade, há toda a vantagem em expor e treinar as crianças sensorialmente de modo a fazer-se a natural descoberta da intensidade, timbre e altura. Os pequeninos precisam, obviamente, de variar. Não se pode usar sempre a mesma canção, nem sempre o mesmo instrumento. É importante que os professores de Música vão dispondo de uma boa colecção de instrumentos musicais e fontes sonoras para satisfazer a necessidade de variedade das crianças e satisfazer o gosto.

Brinquedos sonoros, adquiridos em lojas de música e de brinquedos, apitos musicais, chocalhos de ovelha, cabra e vaca (à venda nas feiras em vilas do interior), instrumentos feitos a partir de materiais recicláveis, apitos de caça, podem ser adquiridos com vantagem sobre outros brinquedos, por vezes imensamente mais caros e com menos valor pedagógico. Isso exige sensibilidade aos pais e o desejo de evoluírem sempre neste domínio. O estudo pessoal e a criatividade fornecem aos pais e professores de música um mundo sonoro que enriquece grandemente o bebé e dá prazer à família. A criança, que é normalmente sensível ao timbre, conseguindo distinguir a sonoridade própria de vários instrumentos, vai assim apurando a sua sensibilidade auditiva.

Pelos dois ou três anos, a criança improvisa frequentemente melodias numa base não métrica e não tonal, fundada nas suas vivências pessoais e no vocabulário de que já dispõe. Não é de esperar que tenha, nessa idade, grande coerência em termos de discurso verbal e musical. De qualquer modo, o educador pode aproveitar essa aptidão e completá-la. De facto, essa tendência desaparece com o despertar das funções intelectuais. Em forma de jogo musical, o educador pode fomentar a criatividade à medida que a criança vai crescendo, consciencializando de forma progressiva para as noções de frase, cadência e forma musical.

Estas propostas de brincadeiras musicais, que não excluem (antes implicam) outras brincadeiras complementares, não têm objectivos científicos mas prendem-se antes com o gosto de ir legando ao meu filho a paixão pela música, partilhando-a com outros educadores.

Fábulas cantadas


BRINCADEIRAS

MÚSICA SUAVE

0-3 meses

Tendo em conta o tipo intra-uterino de contacto com o ritmo e movimento, é vantajoso ter no quarto do bebé um leitor de CD com música instrumental suave (sem grande amplitude em termos de intensidade), canções de embalar, música clássica. As músicas com carácter rítmico regular e melodias que se repetem são calmantes na medida em que se aproximam mais do tipo de som ouvido no seio materno, algo semelhante ao som de uma máquina de lavar roupa.


TONS DE VOZ DIFERENCIADOS

0-3 meses

A investigação sobre o cérebro conclui que os bebés no seio materno já conseguem distinguir o som das vozes humanas. Ouvir os mesmos sons e outros sons diferenciados é um factor de continuidade e enriquecimento na vida do bebé. Quando um bebé ouve sons mais fortes, o seu ritmo cardíaco aumenta, sentindo-se feliz e divertido; quando o tom de voz é suave e doce, o bebé sente-se confortável e satisfeito. Pode cantar-se a mesma canção em intensidades, alturas e timbres diferentes.


BALANÇO

3-6 meses

Balancear e embalar favorecem o gatinhar e andar futuros do bebé. Além de serem divertidos para o bebé, os movimentos balanceados têm um papel importante na aquisição do equilíbrio fundamental para aprender a andar. O balanço pode ser feito em lugares e de modos diferentes, no colo, sobre a barriga, segurando-o sempre de modo a não cair. Pode cantar-se a rima de balancear:

Tão balalão,
cabeça de cão,
orelhas de gato,
não tem coração.


SONS VARIADOS

6-9 meses

É conveniente expor o bebé a sons variados. Uma voz agradável e o contacto visual com o pai ou com a mãe fazem com que o coração do bebé bata mais depressa. Abraçando o bebé enquanto ele provavelmente lhe tocará com as mãos nos lábios, imite o zumbido de uma abelha, dê estalidos com a língua, invente sons com a boca e veja como o bebé tenta imitá-lo.


O LUGAR DO SOM

6-9 meses

As experiências musicais aumentam a aptidão da criança para raciocínio e as ciências matemáticas. A consciência auditiva adquire-se com a idade, os estímulos e a experiência. Os jogos auditivos contribuem para o estabelecer de conexões no cérebro. Com duas pessoas, pode-se colocar na sala e mudar de sítio um pequeno rádio, um sintetizador de brincar ou outro instrumento. Enquanto a mãe, por exemplo está com o bebé, o pai toca num lugar e noutro, ou desloca-se com o rádio ou instrumento. Verifique a reacção do bebé, e pergunte-lhe: "onde está a música?" Se ele se tiver voltado para o lugar certo, merece palmas: é uma forma de o estimular. À medida que o bebé vai crescendo, aumente de forma progressiva o grau de dificuldade do jogo.

N.B.

Estas e outras dezenas de brincadeiras destinam-se ao uso nas oficinas de Música para pais de bebés.


BIBLIOGRAFIA

JACKIE SILBERG, Brincadeiras para bebés. Jogos simples que os ajudam a aprender. Pergaminho 2005, 1 ed.

ID., 125 Brincadeiras para estimular o cérebro da criança de 1 a 3 anos. Editora Ground s. d.


SÍTIOS

www.concertosparabebes.com

www.mozarteffect.com

www.musicateatral.com

www.ucamusic.com

Porto, 12 Janeiro 2009

100 JOGOS MUSICAIS

Jogos de Música e Expressão Corporal

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