1938
Nascimento de Maria Olga Dowens Prats, em Lisboa, na antiga zona da Palhavã, numa casa construída em terrenos pertencentes à Casa Cadaval, e cedida aos seus pais, Artur dos Ramos Prats e Fernanda Monte Pegado Dowens, de origem catalã e alemã, respectivamente.
1943
Primeiras lições de piano com a mãe, e aulas de bailado clássico com Margarida de Abreu. A mãe, Fernanda Dowens Prats, era professora particular de piano (tendo estudado com Abreu Motta) e tocava também violino (foi aluna do pai de Jorge Croner de Vasconcellos), além de ter estudado canto com Arminda Correia e solfejo com o seu avô paterno, Francisco Eduardo Dowens, na altura (anos 20) professor de Solfejo no Conservatório e maestro fundador das bandas filarmónicas civis em Portugal, cargo para o qual fora convidado a vir para o País pelo rei Dom Luís.
1944
Entra para a escola primária, no Colégio Feminino Francês (Rua do Salitre), onde terá, entre outras, aulas de Canto Coral com Francine Benoît, tendo iniciado também aulas particulares de piano (aos domingos de manhã) com o seu primeiro professor, João Maria Blanc de Castro Abreu e Motta, sobrinho do maestro Pedro Blanc e professor no Conservatório Nacional de Lisboa, e que já havia sido professor da sua mãe.
1946
Por sugestão do professor Abreu Motta, os pais decidem retirá-la do colégio, tendo feito os estudos, a partir daí (até ao fim do Liceu), em casa, com professores particulares, a fim de poder dedicar-se por inteiro ao estudo da música.
1947
Primeira referência na imprensa escrita a Olga Prats, que efectua um solo por ocasião de um recital da classe de Bailado de Margarida de Abreu no Teatro Nacional de São Carlos («Tardes das Classes Elementares do Círculo de Iniciação Coreográfica»). O solo foi sobre música do bailado Les Petits Riens, de Mozart, e recebeu uma crítica no jornal O Século.
1949
1º Exame de piano (3º ano) no Conservatório Nacional de Lisboa, obteve a classificação de 17 valores, nota máxima normalmente concedida aos melhores alunos. Do júri faziam parte os professores Lourenço Varela Cid (o pai do concertista internacional Sérgio Varela Cid), Abreu Motta e Campos Coelho.
1949/50
Entra pela primeira vez para uma classe oficial no Conservatório Nacional de Lisboa; assiste às classes de Harmonia do professor Artur Santos, com quem já estudava particularmente Teoria Musical desde 1948. Estuda, também particularmente, História da Música e Acústica, com a Prof.a Dra. Maria Augusta Barbosa, para adquirir as bases teóricas essenciais à conclusão do Curso Geral de Piano.
1952
Primeiro recital público de piano, com 13 anos, um recital de beneficência no Teatro Municipal de São Luiz, Lisboa. Tocou obras de Bach (Suíte Francesa em Mi M), Beethoven (Sonata opus 78), Schumann (Cenas Infantis), Debussy (1º Arabesco), Francine Benoît (Cantares de Cá), Béla Bartók (Sonatina) e Manuel de Falla (Cubana). Neste recital já evidencia duas preocupações essenciais que marcarão a sua carreira: a atenção dada à música portuguesa e à música do seu tempo; tais cuidados já haviam sido, em parte, fomentados e estimulados pelo professor Abreu Motta. Este recital teve bastante atenção da imprensa, com críticas e recensões nos jornais Diário de Lisboa, A Voz, República, Diário de Notícias, Diário Popular, O Século, e até no Mundo Desportivo; algumas delas pela mão de nomes tão ilustres como João de Freitas Branco e Francine Benoît.
1953
Conclui o Curso Geral de Piano (6º ano), também com a classificação de 17 valores, tendo obtido igualmente altas classificações nas restantes disciplinas (Harmonia, 17 valores, História da Música e Acústica 18 valores). No júri do exame de piano estavam Ivo Cruz (pai), Abreu Motta e Campos Coelho.
1953/54
Prossegue os estudos no Conservatório a nível superior: Piano e Composição, com o professor Abreu Motta em Piano, e com o professor e compositor Jorge Croner de Vasconcellos em Contraponto e Fuga. Tem também aulas particulares com Maria Augusta Barbosa, nas disciplinas de Repertório e História da Arte.
1956
Segundo recital público, desta vez no Teatro Nacional de São Carlos. Novamente um concerto de beneficência (destinado a angariar fundos para a construção do Monumento ao Cristo-Rei, em Almada). Do programa constou Bach (Suíte Inglesa nº3), Bach//Liszt (Prelúdio e Fuga em lá m), Armando José Fernandes (Sonatina), Alexandre Tcherepnine (Sonatina Romântica) e Schumann (Estudos Sinfónicos). Estuda ainda Italiano com Virgínia Victorino, na altura disciplina obrigatória para o Curso Superior de Composição.
1957
Conclui os Cursos Superiores de Piano e Composição no Conservatório Nacional de Lisboa, com a classificação de 18 valores em Piano e 15 valores no exame de Fuga. No exame de Piano tocou Bach (Suíte Inglesa nº3), Rachmaninoff (2º Concerto para Piano), Ivo Cruz (Caem Miosótis) e Brahms (os 2 cadernos das Variações Paganini).
1957/58
Parte para a Alemanha com um subsídio da Fundação Calouste Gulbenkian e uma bolsa do Estado alemão, e frequenta durante ano e meio a classe especial de Piano do professor Karl H. Pillney, e a classe de Música de Câmara de Gaspar Cassadó. Em Colónia, tem ainda aulas particulares de Análise com os professores Wolfgang Meyer e Hans Mersmann. Efectua alguns recitais, incluindo um em que será dirigida por Hermann Scherchen, no qual toca o Concerto em ré m de Mozart, e ainda uma gravação na Rádio de Colónia; com o cachet auferido por esta gravação adquire o seu primeiro gravador de fita, um AEG Telefunken.
1959
Obtém um «Diploma de Honra» no Concurso Internacional de Piano de Barcelona, Concurso Maria Canals. Do júri fazia parte o compositor Federico Mompou, com quem virá a trabalhar mais tarde. Em Maio morre o professor Abreu Motta. Segue ainda nesse ano para a Escola Superior de Friburgo, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, onde se inscreve na classe de Piano de Carl Seemann e na classe de Música de Câmara de Sandór Végh, tendo ainda aulas de Análise com Wolfgang Fortner.
1961
Casa com João Luís Delgado Simões, em Sintra, na casa da marquesa de Cadaval, na Quinta da Piedade (Eugaria).
1962
Nasce em Lisboa o primeiro filho de Olga Prats, João Prats Delgado Simões.
1963/64
Através de membros do Coro da AAM conhece pessoalmente Fernando Lopes-Graça (de quem já antes tinha tocado os 3 Velhos Fandangos Portugueses); começa então uma relação profissional e de amizade, que durará até à morte do compositor, em 1994. Dessa amizade e colaboração resultarão inúmeras estreias, concertos públicos, discos e peças que lhe foram dedicadas. Continuará ainda a promover a obra de Fernando Lopes-Graça até hoje, através de um labor pedagógico contínuo, quer na ESML, quer por todo o País e estrangeiro, através dos cursos e master classes de Piano e Música de Câmara que é convidada a leccionar. Ganha o Prémio de Melhor Intérprete Portuguesa de Música Espanhola do Concurso Luís Costa.
1964
Nasce em Lisboa a filha, Paula Prats Delgado Simões.
1967
Conhece pessoalmente Constança Capdeville, no Conservatório Nacional de Lisboa, por intermédio do professor Jorge Croner de Vasconcellos. Esta relação dará frutos a partir de 1975, durando quase até à morte da compositora, em 1991, e traduzir-se-á essencialmente em colaborações com o grupo ColecViva.
1968/69
É solicitada pelo célebre violetista e professor François Bross para acompanhar uma jovem violetista, Ana Bela Chaves, num concerto no Teatro Municipal de São Luiz (Lisboa), evento que dará origem, um pouco mais tarde, a um duo que durará até hoje, e que já conta quase com 35 anos de carreira. O seu pai morre em Abril, com 67 anos. Concorre ao 3º Concurso Internacional de Piano Vianna da Motta, passando à 2ª eliminatória, mas desiste pouco depois por más condições físicas e psicológicas devido à morte do pai quatro meses antes. Virão a vencer esta edição ex-aequo Viktoria Postnikova e Farhad Badalbeily. Conhece pessoalmente António Victorino d’Almeida, no Conservatório Nacional de Lisboa, iniciando uma colaboração estreita a partir de 1971 com a estreia da Sinfonia Concertante no 1º Festival de Música de Vilar de Mouros (obra que lhe foi dedicada), e que mais tarde, e até hoje — se estenderá ao duo com Ana Bela Chaves e ao Opus Ensemble.
1970
É convidada pelo então director do Conservatório Nacional de Lisboa, Ivo Cruz (pai), para preencher a vaga da professora Isabel Manso que, em 1931, havia ocupado o lugar ganho em concurso público por Fernando Lopes-Graça. Porém, seria impedido pela PIDE de tomar posse do lugar e preso à porta do Conservatório. Lopes-Graça nunca ensinará em escolas estatais, não tendo jamais sido reabilitado e readmitido no Conservatório.
1972/73
Secretaria o 6º Concurso Internacional de Piano Vianna da Motta, a convite de Sequeira Costa. Sai o seu primeiro LP a solo, com obras de Fernando Lopes-Graça (1ª e 3ª Sonatas, 3 Velhos Fandangos Portugueses), iniciando assim uma carreira discográfica de 35 anos, que já conta mais de 25 discos, quer a solo, quer em colaboração.
1974
Obtém o divórcio. Fica com a custódia dos dois filhos. Não voltaria a casar embora tendo vivido outras relações significativas. Por convite de Constança Capdeville, e com a colaboração da cantora/actriz inglesa (de origem croata) Bettina Jonic, ensaia um espectáculo de teatro musical baseado em textos de Bertolt Brecht, Kurt Weill e Eisler, que será marcado para o dia 25 de Abril de 1974, razão pela qual não se realizará na data prevista, vindo a estrear apenas no dia 3 de Maio desse ano, no Conservatório Nacional de Lisboa.
1979
É convidada por Sequeira Costa para membro do júri do 8º Concurso Internacional de Piano Vianna da Motta. 1979/80 — Formação do Opus Ensemble, por sugestão de Ana Bela Chaves a Olga Prats, no sentido de alargar o âmbito do repertório já existente no duo. Convidam então mais dois instrumentistas da Orquestra Gulbenkian, o oboísta Bruno Pizzamiglio e o contrabaixista Alejandro Erlich-Oliva. O quarteto, inicialmente sem nome, dará o 1º concerto oficial em Agosto de 1980, já baptizado de Opus Ensemble. Grupo de carreira internacional, continua até ao presente com grande êxito de crítica e público.
1981
Morre a mãe de Olga Prats, aos 72 anos. Jürgen Meyer-Josten, então director do Departamento de Música da Bayerische-Rundfunk, e director musical dos Concursos da Rádio de Munique, convida-a a integrar o júri destes últimos na categoria de Música de Câmara. Este convite será reiterado em 1983.
1983
É convidada pela Comissão Instaladora da Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) para leccionar Música de Câmara, cadeira recentemente criada, mas continua ainda a leccionar no Conservatório por mais um ano, a meio tempo.
1985
Falecimento precoce do seu único irmão, Luiz Fernando Dowens Prats, arquitecto, aos 54 anos. Esta morte afecta muito a pianista.
1988
Nasce em Lisboa a primeira neta, Inês Prats Azevedo Gomes, filha da Paula. Convidada para integrar o Conselho Português da Música, convite que se estenderá pouco depois ao Opus Ensemble.
1993
Nasce em Lisboa o segundo neto, João Prats Saraiva Delgado, filho do João.
1998
É-lhe concedida a Medalha de Mérito (Ouro) da Freguesia da Parede.
1999
É-lhe concedida a Medalha Municipal de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Cascais.
2002
É-lhe concedida a menção de Honra e Louvor Sindical do Sindicato dos Músicos.