MELOTECA SÍTIO DE MÚSICA E ARTES
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2003-2008
> HISTÓRIA DA MÚSICA
PRINCIPAL JOHANN SEBASTIAN BACH W.A. MOZART JOSÉ VIANA DA MOTA FERNANDO LOPES-GRAÇA
 
 
BREVE CRONOLOGIA HISTÓRICA DA
ESCOLA DE MÚSICA DO CONSERVATÓRIO NACIONAL
por Maria José Borges, Prof. História da Música

Escola de Música do Conservatório Nacional

1822

21/10: as Cortes encarregam João Domingos Bomtempo de elaborar um projecto para «hum estabelecimento de musica vocal, e instrumental » no sentido de reorganizar o Seminário de Música da Patriarcal.

7/12: J. D. Bomtempo apresenta às Cortes a proposta de criação de um estabelecimento de música vocal e instrumental, segundo o modelo que conhecera em Paris, fundado por Cherubini.

António José do Rego (compositor e maestro) igualmente apresenta às câmaras uma proposta de uma Escola de música e drama a funcionar junto da Casa Pia.

1824

3/11: decreto que passa a inserir o ensino de instrumentos musicais na Escola de Música do Seminário da Patriarcal, dado por professores quase todos provenientes da Real Câmara (entre 1824-1834).

1828-1834

Reinado de D. Miguel e guerras civis (1832-34), levando à decadência de todas as instituições musicais e à restrição das actividades de Bomtempo, adepto do Liberalismo.

1834

Junho (s/data): após a vitória liberal, Bomtempo apresenta novamente um «Plano para hum Estabelecimento de Musica vocal, e instrumental, offerecido a sua Magestade o Duque de Bragança, regente em nome da Rainha» (plano ambicioso, com dezoito professores para dezasseis disciplinas).

1835

5/5: decreto criando o Conservatório de Música anexo à Casa Pia (ala este do Mosteiro dos Jerónimos) e nomeando Bomtempo seu director. O previsto plano da Escola foi substancialmente reduzido, passando a funcionar apenas seis disciplinas. Os docentes eram quase todos provenientes do Seminário da Patriarcal (extinto em 1834). Desconhece-se, até à data, qualquer documentação sobre este período, o que não permite saber se, de facto, a Escola chegou, ou não, a funcionar.

1836

15/11: decreto criando o Conservatório Geral de Arte Dramática (sob proposta de Almeida Garrett), no qual se decide incorporar o referido Conservatório de Música, que passou a constituir a Escola de Música daquela nova instituição.

A direcção será entregue a Almeida Garrett, mantendo Bomtempo a direcção da Escola de Música. É acrescentada uma terceira Escola de Dança e Mímica.

22/11: decreto que nomeia J.B. Almeida Garrett como Inspector-geral dos Teatros e Espectáculos, cargo que passará, por inerência, aos futuros directores do Conservatório.

23/12:portaria que determina que se indique um novo edifício para o Conservatório de Música, tendo em conta a sua difícil localização (em Belém).

1837

12/01/1837: portaria que estabelece que as 3 Escolas do Conservatório Geral de Arte Dramática se instalem no Convento dos Caetanos, desocupado desde 1834, devido à extinção das Ordens religiosas em Portugal.

28/03: portaria que determina a remoção do Conservatório de Música da Casa Pia para o Convento dos Caetanos

07/12: primeiro aviso de matrículas para a escola de música do Conservatório, estando previsto o início do ano lectivo para 3 Janeiro de 1838 (data sujeita, todavia, à conclusão das obras em curso.

1840

Janeiro: Bomtempo participa numa deputação que solicita a protecção régia do Conservatório.

16/04: portaria que determina que seja entregue ao Conservatório o Cartório do extinto Seminário da Patriarcal.

04/07: decreto que atribui à instituição a designação de Conservatório Real de Lisboa (CRL), tornando-se o rei D. Fernando seu presidente honorário.

Primeiros exercícios públicos do Conservatório que, por inexistência de um local adequado foram apresentados no Teatro do Salitre. A eles assistiram Suas Majestades.

1841

9/05: é constituída a Academia do Conservatório , cuja secção de Música é dirigida por Bomtempo. Entre os principais sócios viriam a incluir-se muitos dos principais vultos literários, artísticos e científicos do país, para além de individualidades estrangeiras (como Rossini, Mercadante, Donizetti, Auber e Mayerbeer, entre outros) que foram seus sócios correspondentes.

24/05: promulgação dos estatutos do CRL, onde se determina que (art.1): "O Conservatório Real de Lisboa tem por objecto restaurar, conservar, e aperfeiçoar a literatura dramática e a língua portuguesa, a música, a declamação e as artes mímicas. E promover outrossim o estudo da arqueologia, da história e de todos os ramos de ciência, de literatura e de arte que podem auxiliar a dramática".

16/07: decreto exonerando Garrett de todos os seus cargos; devido a quezílias partidárias, o próprio Conservatório correu o risco de extinção, segundo proposta do governo, com o pretexto de que era uma instituição muito dispendiosa para o Erário Público. Sucede-lhe Joaquim Larcher.

1841

25/09: requerimento às cortes e à Rainha solicitando a continuidade do Conservatório, mediante o recurso a receitas próprias (emolumentos e quotizações).

1842

Morte de Bomtempo. Sucede-lhe nos cargos de direcção da Escola de Música, Francisco Xavier Migone (professor de Harmonia e Composição).

1842-48

Período em que o CRL teve como sucessivos directores António Pereira dos Reis e o Marquês de Fronteira.

1848

03/10: decreto nomeando director do CRL o Conde de Farrobo, grande melómano. Todavia, face aos exíguos recursos disponibilizados, e algum desânimo do referido conde, a sua administração foi uma constante delegação no secretário da inspecção-geral dos teatros, Carlos da Cunha e Menezes.

1849

17/09: Notícia sobre Exercícios Públicos do Conservatório Real de Lisboa, com a presença de suas Majestades, já no edifício do próprio Conservatório.

1863

Guilherme Cossoul (1828-1880) é nomeado para a direcção da Escola de Música. Introduziu interessantes medidas pedagógicas que passaram pela elaboração de programas de todas as disciplinas e selecção de reportórios.

1869

29/12: nova reforma que retira aos directores do Conservatório o cargo inerente de Inspector-Geral dos Teatros.

1870

Duarte de Sá nomeado para a direcção do CRL.

1878

Direcção do CRL a cargo do poeta e escritor Luis Augusto Palmeirim (1825-1893).

Publicação alusiva ao Conservatório para ser apresentada na Exposição Universal de Paris de 1878, muito provavelmente do próprio Palmeirim.

1881

Encomenda ao pintor Malhoa da pintura para o tecto e medalhões do salão do Conservatório. As restantes decorações ficaram a cargo de Eugénio Cotrim.

1883

Luís Augusto Palmeirim publica "Memória acerca do ensino das artes scenicas e com especialidade da Música", onde apresenta uma proposta importante de renovação das escolas do Conservatório.

1892

25 Agosto: inauguração do salão de concertos do CRL.

1895
Um Almanach das Senhoras, desse ano refere que «o Conservatorio e o seu director não passam em Portugal de instituições platonicas, sem nenhuma especie de influencia nos destinos da Arte».

1898

Segundo novo regulamento, o CRL passa a ser dirigido por um inspector de nomeação régia, que residirá no edifício, escolhido entre reconhecidos artistas ou homens de letras, e dois directores para as duas escolas (Música e Arte Dramática).

O novo inspector será o dramaturgo Eduardo Schwalbach Lucci.

1901

Reforma encabeçada por Augusto Machado (1845-1924), director da Escola de Música (1901 a 1910), e que fez entrar o CRL nos caminhos da modernidade, actualizando os planos de estudo e os repertórios dos diversos instrumentos.

1910

Após a implantação da República passa a designar-se como Conservatório Nacional de Lisboa (CNL).

1919

O pianista Vianna da Motta (1868-1948) é nomeado Director do Conservatório. O compositor, musicólogo e pedagogo Luis de Freitas Branco (1890- 1955) torna-se, por sua vez, director da secção de Música.

Sob a sua acção conjunta, o CNL sofre uma das suas primeiras importantes reformas, de que são manifestações relevantes: a inclusão de disciplinas de Cultura Geral, a criação da Classe de Ciências Musicais, e o desenvolvimento do Curso de Composição, entre outras. Foi um dos períodos áureos da escola, tendo aumentado a sua população escolar.

1930

Nova reforma, fruto de cortes orçamentais, que funde as duas escolas num estabelecimento escolar único, com duas secções sem autonomia administrativa (Música e Teatro), passando a ter a designação de Conservatório Nacional (CN) . São nomeados (16/06) Júlio Dantas, como inspector do CN e Vianna da Motta, como director para a Música. Desaparecem algumas disciplinas da Secção de Música e a Dança torna-se uma subsecção do Teatro. Decresce a afluência de alunos, que apenas voltou a subir na década seguinte.

1938

O Maestro e compositor Ivo Cruz (1901-1986) é convidado para a direcção do CN (cargo que exerceria até 1972); para subdirector da Escola de Música é nomeado Lúcio Mendes (professor de piano).

1941

Criação oficial do Museu Instrumental (ainda sem instalações).

1946

Importantes obras de remodelação e modernização do edifício, projectadas pelo arquitecto Duarte Pacheco, que dotaram o Conservatório, entre outras coisas, de um salão de concertos (salão nobre), de uma renovada biblioteca (desenhada pelo arq. Raul Lino), e de amplas salas onde seria instalado o Museu instrumental.

1947

Início do ciclo de "Recitais da Nova geração" com vista a mostrar os talentos que despontam no CN.

1971

O Ministério da Educação nomeia uma «Comissão Orientadora da reforma do Conservatório Nacional» (CORCN), presidida por Madalena Perdigão, para rever e reestruturar o ensino desactualizado face aos programas de 1930.

1972

Introdução no CN de um novo plano de estudos provisório, conhecido como "Experiência Pedagógica", promovido pela CORCN. Este plano de estudos reformulava o de 1930, aumentando os anos curriculares e actualizando os repertórios; igualmente introduzia novos cursos instrumentais (alaúde e flauta-de-bisel).

São, igualmente, criadas duas novas Escolas no Conservatório: Escola Superior de Cinema e Escola Superior de Educação pela Arte.

O maestro Ivo Cruz é aposentado, por limite de idade, do cargo de director, assumindo funções na chefia da instituição o prof. Lúcio Mendes.

1972-74

Em colaboração com a Escola Secundária Francisco Arruda, que durante dois anos se instalou no CN, inicia-se uma experiência de ensino integrado da música.

1974

Após o 25 de Abril a CORCN "demite-se em bloco.

È formada uma Comissão de Gestão do CN. Cada escola do CN forma, por sua vez, uma Comissão Directiva, constituída por três professores e três alunos.

A primeira Comissão Directiva da EM foi constituída pelos profs. Francisco Brito e Cunha, Elisa Lamas e Teresa Vieira, e pelos alunos Maria José Artiaga, João Vieira Caldas e António Wagner Dinis.

A ela se seguiram outras comissões eleitas anualmente.

1977

O Ministério da Cultura nomeia uma Comissão de Reestruturação do CN, atribuindo a cada Escola dois lugares nessa comissão (excepcionalmente, três, no caso da Música). As suas atribuições incluíam a gestão do CN, assim como a elaboração de uma proposta de reforma do ensino artístico a apresentar ao Ministério.

A Escola de Música assume uma posição discordante nessa reformulação, apresentando uma proposta de uma autonomia.

1978

Julho: denúncia de todos os contratos de professores para além do quadro; a situação só foi ultrapassada com a abertura de novos concursos no ano lectivo seguinte, permitindo o reingresso dos interessados.

1978/80

Período marcado pela administração de gestores nomeados pelo Ministério, com poderes sobre todas as escolas do CN, como Luís Casanovas, Viegas Tavares e Luís Oliveira Nunes.

1980

Demissão do último gestor.

São suspensas as inscrições na Escola Superior de Educação pela Arte.

È nomeada uma Comissão Coordenadora de Reinstalação do CN constituída por Comissões Directivas eleitas para cada uma das 4 Escolas; para a Escola de Música foram eleitos os profs. Ivone Santos, Melina Rebelo e A. Meneres Barbosa.

1981

O Ministério da Educação atribui autonomia à EMCN incumbindo-a de apresentar uma proposta de reforma para o ensino musical. Nesse âmbito foi convidado o Dr. António Caldeira Cabral como assessor jurídico.

1983

Out.: Decreto-Lei nº 310 que faz a reconversão do CN em várias escolas autónomas: duas secundárias (Música e Dança) e três superiores, ligadas a Universidades ou a Institutos Politécnicos (E.S. Dança, E.S. Música e E.S. de Teatro e Cinema).

É assim criada a Escola de Música do Conservatório Nacional (EMCN), que passa a leccionar, apenas, o ensino básico e secundário, e a ser gerida e administrada por três docentes da escola, integrando uma Comissão Instaladora. Os primeiros professores eleitos para esse efeito foram os profs. Fernando Jorge Afonso, José Lopes e Silva e Fernanda Mella.

1984 -1992

Período conturbado e de contestação e adaptação às novas mudanças curriculares previstas no Decreto-Lei nº 310 tendo-se sucedido diversas Comissões Instaladoras da EMCN, eleitas, ou nomeadas pelo ME.

1993

Extinção definitiva dos antigos planos curriculares da antiga reforma de 1930, dando continuidade aos novos planos de estudo previstos em 1983, com algumas adaptações.

2005

A EMCN mantém-se no mesmo edifício dos Caetanos e apesar de atravessar um período de relativa estabilidade, luta, ainda, por um estatuto adequado às suas capacidades e por melhores condições logísticas.

 
TOPO
 
Criado e desenhado por António José Ferreira