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BREVE CRONOLOGIA HISTÓRICA DA |
ESCOLA DE MÚSICA DO CONSERVATÓRIO NACIONAL |
por Maria José Borges, Prof. História da Música |
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1822 |
21/10: as Cortes encarregam João Domingos Bomtempo de elaborar um projecto para «hum estabelecimento de musica vocal, e instrumental » no sentido de reorganizar o Seminário de Música da Patriarcal. |
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7/12: J. D. Bomtempo apresenta às Cortes a proposta de criação de um estabelecimento de música vocal e instrumental, segundo o modelo que conhecera em Paris, fundado por Cherubini. |
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António José do Rego (compositor e maestro) igualmente apresenta às câmaras uma proposta de uma Escola de música e drama a funcionar junto da Casa Pia. |
1824 |
3/11: decreto que passa a inserir o ensino de instrumentos musicais na Escola de Música do Seminário da Patriarcal, dado por professores quase todos provenientes da Real Câmara (entre 1824-1834). |
1828-1834 |
Reinado de D. Miguel e guerras civis (1832-34), levando à decadência de todas as instituições musicais e à restrição das actividades de Bomtempo, adepto do Liberalismo. |
1834 |
Junho (s/data): após a vitória liberal, Bomtempo apresenta novamente um «Plano para hum Estabelecimento de Musica vocal, e instrumental, offerecido a sua Magestade o Duque de Bragança, regente em nome da Rainha» (plano ambicioso, com dezoito professores para dezasseis disciplinas). |
1835 |
5/5: decreto criando o Conservatório de Música anexo à Casa Pia (ala este do Mosteiro dos Jerónimos) e nomeando Bomtempo seu director. O previsto plano da Escola foi substancialmente reduzido, passando a funcionar apenas seis disciplinas. Os docentes eram quase todos provenientes do Seminário da Patriarcal (extinto em 1834). Desconhece-se, até à data, qualquer documentação sobre este período, o que não permite saber se, de facto, a Escola chegou, ou não, a funcionar. |
1836 |
15/11: decreto criando o Conservatório Geral de Arte Dramática (sob proposta de Almeida Garrett), no qual se decide incorporar o referido Conservatório de Música, que passou a constituir a Escola de Música daquela nova instituição.
A direcção será entregue a Almeida Garrett, mantendo Bomtempo a direcção da Escola de Música. É acrescentada uma terceira Escola de Dança e Mímica. |
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22/11: decreto que nomeia J.B. Almeida Garrett como Inspector-geral dos Teatros e Espectáculos, cargo que passará, por inerência, aos futuros directores do Conservatório. |
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23/12:portaria que determina que se indique um novo edifício para o Conservatório de Música, tendo em conta a sua difícil localização (em Belém). |
1837 |
12/01/1837: portaria que estabelece que as 3 Escolas do Conservatório Geral de Arte Dramática se instalem no Convento dos Caetanos, desocupado desde 1834, devido à extinção das Ordens religiosas em Portugal. |
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28/03: portaria que determina a remoção do Conservatório de Música da Casa Pia para o Convento dos Caetanos |
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07/12: primeiro aviso de matrículas para a escola de música do Conservatório, estando previsto o início do ano lectivo para 3 Janeiro de 1838 (data sujeita, todavia, à conclusão das obras em curso. |
1840 |
Janeiro: Bomtempo participa numa deputação que solicita a protecção régia do Conservatório. |
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16/04: portaria que determina que seja entregue ao Conservatório o Cartório do extinto Seminário da Patriarcal. |
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04/07: decreto que atribui à instituição a designação de Conservatório Real de Lisboa (CRL), tornando-se o rei D. Fernando seu presidente honorário. |
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Primeiros exercícios públicos do Conservatório que, por inexistência de um local adequado foram apresentados no Teatro do Salitre. A eles assistiram Suas Majestades. |
1841 |
9/05: é constituída a Academia do Conservatório , cuja secção de Música é dirigida por Bomtempo. Entre os principais sócios viriam a incluir-se muitos dos principais vultos literários, artísticos e científicos do país, para além de individualidades estrangeiras (como Rossini, Mercadante, Donizetti, Auber e Mayerbeer, entre outros) que foram seus sócios correspondentes. |
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24/05: promulgação dos estatutos do CRL, onde se determina que (art.1): "O Conservatório Real de Lisboa tem por objecto restaurar, conservar, e aperfeiçoar a literatura dramática e a língua portuguesa, a música, a declamação e as artes mímicas. E promover outrossim o estudo da arqueologia, da história e de todos os ramos de ciência, de literatura e de arte que podem auxiliar a dramática". |
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16/07: decreto exonerando Garrett de todos os seus cargos; devido a quezílias partidárias, o próprio Conservatório correu o risco de extinção, segundo proposta do governo, com o pretexto de que era uma instituição muito dispendiosa para o Erário Público. Sucede-lhe Joaquim Larcher. |
1841 |
25/09: requerimento às cortes e à Rainha solicitando a continuidade do Conservatório, mediante o recurso a receitas próprias (emolumentos e quotizações). |
1842 |
Morte de Bomtempo. Sucede-lhe nos cargos de direcção da Escola de Música, Francisco Xavier Migone (professor de Harmonia e Composição). |
1842-48 |
Período em que o CRL teve como sucessivos directores António Pereira dos Reis e o Marquês de Fronteira. |
1848 |
03/10: decreto nomeando director do CRL o Conde de Farrobo, grande melómano. Todavia, face aos exíguos recursos disponibilizados, e algum desânimo do referido conde, a sua administração foi uma constante delegação no secretário da inspecção-geral dos teatros, Carlos da Cunha e Menezes. |
1849 |
17/09: Notícia sobre Exercícios Públicos do Conservatório Real de Lisboa, com a presença de suas Majestades, já no edifício do próprio Conservatório. |
1863 |
Guilherme Cossoul (1828-1880) é nomeado para a direcção da Escola de Música. Introduziu interessantes medidas pedagógicas que passaram pela elaboração de programas de todas as disciplinas e selecção de reportórios. |
1869 |
29/12: nova reforma que retira aos directores do Conservatório o cargo inerente de Inspector-Geral dos Teatros. |
1870 |
Duarte de Sá nomeado para a direcção do CRL. |
1878 |
Direcção do CRL a cargo do poeta e escritor Luis Augusto Palmeirim (1825-1893). |
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Publicação alusiva ao Conservatório para ser apresentada na Exposição Universal de Paris de 1878, muito provavelmente do próprio Palmeirim. |
1881 |
Encomenda ao pintor Malhoa da pintura para o tecto e medalhões do salão do Conservatório. As restantes decorações ficaram a cargo de Eugénio Cotrim. |
1883 |
Luís Augusto Palmeirim publica "Memória acerca do ensino das artes scenicas e com especialidade da Música", onde apresenta uma proposta importante de renovação das escolas do Conservatório. |
1892 |
25 Agosto: inauguração do salão de concertos do CRL. |
1895 |
Um Almanach das Senhoras, desse ano refere que «o Conservatorio e o seu director não passam em Portugal de instituições platonicas, sem nenhuma especie de influencia nos destinos da Arte». |
1898 |
Segundo novo regulamento, o CRL passa a ser dirigido por um inspector de nomeação régia, que residirá no edifício, escolhido entre reconhecidos artistas ou homens de letras, e dois directores para as duas escolas (Música e Arte Dramática).
O novo inspector será o dramaturgo Eduardo Schwalbach Lucci. |
1901 |
Reforma encabeçada por Augusto Machado (1845-1924), director da Escola de Música (1901 a 1910), e que fez entrar o CRL nos caminhos da modernidade, actualizando os planos de estudo e os repertórios dos diversos instrumentos. |
1910 |
Após a implantação da República passa a designar-se como Conservatório Nacional de Lisboa (CNL). |
1919 |
O pianista Vianna da Motta (1868-1948) é nomeado Director do Conservatório. O compositor, musicólogo e pedagogo Luis de Freitas Branco (1890- 1955) torna-se, por sua vez, director da secção de Música.
Sob a sua acção conjunta, o CNL sofre uma das suas primeiras importantes reformas, de que são manifestações relevantes: a inclusão de disciplinas de Cultura Geral, a criação da Classe de Ciências Musicais, e o desenvolvimento do Curso de Composição, entre outras. Foi um dos períodos áureos da escola, tendo aumentado a sua população escolar. |
1930 |
Nova reforma, fruto de cortes orçamentais, que funde as duas escolas num estabelecimento escolar único, com duas secções sem autonomia administrativa (Música e Teatro), passando a ter a designação de Conservatório Nacional (CN) . São nomeados (16/06) Júlio Dantas, como inspector do CN e Vianna da Motta, como director para a Música. Desaparecem algumas disciplinas da Secção de Música e a Dança torna-se uma subsecção do Teatro. Decresce a afluência de alunos, que apenas voltou a subir na década seguinte. |
1938 |
O Maestro e compositor Ivo Cruz (1901-1986) é convidado para a direcção do CN (cargo que exerceria até 1972); para subdirector da Escola de Música é nomeado Lúcio Mendes (professor de piano). |
1941 |
Criação oficial do Museu Instrumental (ainda sem instalações). |
1946 |
Importantes obras de remodelação e modernização do edifício, projectadas pelo arquitecto Duarte Pacheco, que dotaram o Conservatório, entre outras coisas, de um salão de concertos (salão nobre), de uma renovada biblioteca (desenhada pelo arq. Raul Lino), e de amplas salas onde seria instalado o Museu instrumental. |
1947 |
Início do ciclo de "Recitais da Nova geração" com vista a mostrar os talentos que despontam no CN. |
1971 |
O Ministério da Educação nomeia uma «Comissão Orientadora da reforma do Conservatório Nacional» (CORCN), presidida por Madalena Perdigão, para rever e reestruturar o ensino desactualizado face aos programas de 1930. |
1972 |
Introdução no CN de um novo plano de estudos provisório, conhecido como "Experiência Pedagógica", promovido pela CORCN. Este plano de estudos reformulava o de 1930, aumentando os anos curriculares e actualizando os repertórios; igualmente introduzia novos cursos instrumentais (alaúde e flauta-de-bisel).
São, igualmente, criadas duas novas Escolas no Conservatório: Escola Superior de Cinema e Escola Superior de Educação pela Arte.
O maestro Ivo Cruz é aposentado, por limite de idade, do cargo de director, assumindo funções na chefia da instituição o prof. Lúcio Mendes. |
1972-74 |
Em colaboração com a Escola Secundária Francisco Arruda, que durante dois anos se instalou no CN, inicia-se uma experiência de ensino integrado da música. |
1974 |
Após o 25 de Abril a CORCN "demite-se em bloco. |
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È formada uma Comissão de Gestão do CN. Cada escola do CN forma, por sua vez, uma Comissão Directiva, constituída por três professores e três alunos.
A primeira Comissão Directiva da EM foi constituída pelos profs. Francisco Brito e Cunha, Elisa Lamas e Teresa Vieira, e pelos alunos Maria José Artiaga, João Vieira Caldas e António Wagner Dinis.
A ela se seguiram outras comissões eleitas anualmente. |
1977 |
O Ministério da Cultura nomeia uma Comissão de Reestruturação do CN, atribuindo a cada Escola dois lugares nessa comissão (excepcionalmente, três, no caso da Música). As suas atribuições incluíam a gestão do CN, assim como a elaboração de uma proposta de reforma do ensino artístico a apresentar ao Ministério.
A Escola de Música assume uma posição discordante nessa reformulação, apresentando uma proposta de uma autonomia. |
1978 |
Julho: denúncia de todos os contratos de professores para além do quadro; a situação só foi ultrapassada com a abertura de novos concursos no ano lectivo seguinte, permitindo o reingresso dos interessados. |
1978/80 |
Período marcado pela administração de gestores nomeados pelo Ministério, com poderes sobre todas as escolas do CN, como Luís Casanovas, Viegas Tavares e Luís Oliveira Nunes. |
1980 |
Demissão do último gestor.
São suspensas as inscrições na Escola Superior de Educação pela Arte.
È nomeada uma Comissão Coordenadora de Reinstalação do CN constituída por Comissões Directivas eleitas para cada uma das 4 Escolas; para a Escola de Música foram eleitos os profs. Ivone Santos, Melina Rebelo e A. Meneres Barbosa. |
1981 |
O Ministério da Educação atribui autonomia à EMCN incumbindo-a de apresentar uma proposta de reforma para o ensino musical. Nesse âmbito foi convidado o Dr. António Caldeira Cabral como assessor jurídico. |
1983 |
Out.: Decreto-Lei nº 310 que faz a reconversão do CN em várias escolas autónomas: duas secundárias (Música e Dança) e três superiores, ligadas a Universidades ou a Institutos Politécnicos (E.S. Dança, E.S. Música e E.S. de Teatro e Cinema).
É assim criada a Escola de Música do Conservatório Nacional (EMCN), que passa a leccionar, apenas, o ensino básico e secundário, e a ser gerida e administrada por três docentes da escola, integrando uma Comissão Instaladora. Os primeiros professores eleitos para esse efeito foram os profs. Fernando Jorge Afonso, José Lopes e Silva e Fernanda Mella. |
1984 -1992 |
Período conturbado e de contestação e adaptação às novas mudanças curriculares previstas no Decreto-Lei nº 310 tendo-se sucedido diversas Comissões Instaladoras da EMCN, eleitas, ou nomeadas pelo ME. |
1993 |
Extinção definitiva dos antigos planos curriculares da antiga reforma de 1930, dando continuidade aos novos planos de estudo previstos em 1983, com algumas adaptações. |
2005 |
A EMCN mantém-se no mesmo edifício dos Caetanos e apesar de atravessar um período de relativa estabilidade, luta, ainda, por um estatuto adequado às suas capacidades e por melhores condições logísticas. |
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