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INSTRUMENTÁRIO PORTUGUÊS

BANDEIRA DE PORTUGAL
A

Acordeão:

aerofone de palheta dotado de fole e teclas. Foi criado no século XIX, com o contributo de diversos fabricantes. Pela acção dos braços e das mãos do acordeonista, o ar faz vibrar as lâminas metálicas das palhetas. É muito utilizado em Portugal e nas festas populares e momentos de convívio.

Acordeão

 

Adufe:

instrumento de percussão de membrana dupla, em formato quadrangular, resultado da influência árabe (duff). É tradicional de Monsanto e da Beira Baixa, onde é tocado exclusivamente por mulheres. Na região de Trás-os-Montes, o adufe tem a designação de pandeiro. É utilizado também no Brasil, certamente por influência de portugueses.

Adufeiras, foto Filipe Faria

 

Aerofone:

categoria de instrumentos musicais cujo som é produzido pela vibração do ar no (ou pelo) instrumento.

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B

Bandolim:

cordofone com quatro ordens de cordas duplas, sistema de cravelhas com chapa em leque e parafuso sem fim. A boca é redonda, decorada com embutidos. A cabeça termina em voluta. O bandolim é utilizado pelas tunas e acompanha outros grupos musicais.

Bandolim

 

Bandurra:

também chamada viola beiroa, uma das violas portuguesas, é um cordofone dedilhado. Utilizava-se esta viola popular portuguesa (que era muito frequente no distrito de Castelo Branco), nas tabernas, e em momentos festivos como os casamentos, nas serenatas aos noivos, nas vésperas e na noite da boda.

Viola beiroa

 

Bombo:

bimembranofone de percussão tocado geralmente na posição vertical. É um dos instrumentos utilizados no programa das festas populares de Portugal.

Bombo de romaria, Grupo de Bombos de Santa Maria de Jazente

 

Braguinha:

espécie de cavaquinho da Madeira, onde também é chamado "machête", o braguinha é um cordofone dedilhado com 4 cordas de tripa, sendo utilizado pelos camponeses madeirenses para acompanhar o canto e a dança. Foi levado pelo madeirense João Fernandes para o Havai e encantou os seus habitantes que deram ao instrumento o nome de "ukulelé", literalmente "pulga saltadora".

Braguinha

 

Brinquinho:

idiofone típico do folclore madeirense constituído por bonecos vestidos com trajes regionais, com caricas e castanholas que se movimentam pelo eixo vertical de uma cana de 60/70 cm. O registo iconográfico mais antigo data do início do século XX.

Brinquinho

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C

Caixa:

bimembranofone de percussão, de tipo militar, batida por duas baquetas de madeira.

 

Castanholas:

idiofone de madeira constituído por duas partes côncavas que batem uma na outra. É usado no Algarve, no canto das janeiras, pelas "charolas". Os pauliteiros de Miranda do Douro e Mogadouro (Trás-os-Montes e Alto Douro) utilizam castanholas de forma oblonga nas suas danças e em alternância com os paulitos. Todavia, as castanholas são muito usadas em outras regiões de Portugal, designadamente o Alentejo, Estremadura, Douro Litoral, tocadas sobretudo por homens a acompanhar cantares alegres e festivos.

 

Cavaquinho:

cordofone popular de pequenas dimensões, utilizado no acompanhamento do repertório tradicional português, designadamente no Minho e Douro Litoral, mas também no Algarve, onde é muito utilizado pelas charolas, no canto das janeiras.

 

Cegarrega:

idiofone popular de madeira que imita o som da cigarra, é constituído por uma roda de transmissão accionada por uma manivela com um cabo.

 

Chicote:

instrumento tradicional de percussão, conntituído por duas pequenas tábuas de madeira que batem uma contra a outra, lembrando a sua sonoridade o estalar de um chicote.

 

Chincalho:

idiofone que se apresenta em formatos bastante variados, constituído basicamente por chapas metálicas que batem entre si quando o executante movimenta o instrumento.

 

Chocalho:

campaínha colocada pelos pastores ao pescoço das ovelhas, cabras ou vacas.

 

Clavas:

também chamadas "pausinhos", são idiofone de madeira, existentes em Portugal, Brasil e muitos países, com nomes, materiais e timbres diferentes. Os índios do Brasil decoravam as clavas com gravação a fogo.

 

Concertina:

aerofone dotado de fole e palheta livre muito popular em Portugal. Instrumento da família do acordeão, nasceu no século XX.

 

Cordofone:

categoria de instrumentos musicais cujo som é produzido por cordas esticadas.

 

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D

Ferrinhos:

idiofone metálico percutido, possui um som penetrante, sendo utilizado na música tradicional portuguesa. Consiste num ferro em forma triangular, aberto, no qual se bate com um pequeno ferro. É suspenso de uma corda, e enquanto uma mão sustenta o triângulo, a outra faz a percussão.

Ferrinhos

 

Flauta de Pã:

aerofone composto de vários tubos de cana de diferentes comprimentos que formam o sistema melódico do instrumento. Conforme o comprimento é maior ou menor, cada tubo produz um som mais mais grave ou mais agudo.

 

Flauta de tamborileiro:

pequeno aerofone do tipo flauta de bisel que forma conjunto com o tamboril e é tocado pelo mesmo tocador.

 

Flauta travessa:

aerofone feito de cana um insuflador e vários furos melódicos. Por vezes é decorado com motivos geométricos feitos a canivete enquanto a cana está verde.

 

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E
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F
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G

Gaita de foles:

aerofone composto de dois tubos, um insuflador e um fole. Com o braço, o ar é empurrado através de um tubo para as gaitas, produzindo o som.

Gaita transmontana, Portugal

 

Genebres:

idiofone constituído por uma série de paus redondos maciços, de tamanhos crescentes, enfiados numa tira de couro, formando colar. É utilizado na Lousã, na "Dança dos Homens", festa realizada em honra da Senhora dos Altos Céus, em Maio. A "genebres" é utilizada apenas nesta cerimónia. Normalmente, está entregue à Comissão de Festas e passa anualmente dos festeiros velhos para os festeiros novos.

 

Guitarra portuguesa:

cordofone com seis ordens de cordas duplas de metal, sistema de cravelhas em leque e parafuso sem fim. A boca é redonda e é ornamentada com embutidos. A guitarra portuguesa acompanha o fado mas já tem repertório próprio, tendo sido promovida pelo talento excepcional de Carlos Paredes.

Guitarra portuguesa de Lisboa, Portugal

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H
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I

Idiofone:

categoria de instrumentos musicais cujo som é produzido pelo próprio corpo do instrumento, sem estar esticado. Os idiofones podem ser de percussão e terem conjuntos de corpos vibrantes, como os xilofones, metalofones, litofones, cristalofones, ou serem apenas um corpo vibrante como os ferrinhos (triângulo), o gongo ou o sino. Podem ser idiofones percutidos, quando se bate com uma baqueta ou a própria mão; percussivos, se o próprio instrumento bate numa superfície dura; concussivos, quando se trata de dois corpos iguais ou semelhantes, como os pratos ou as castanholas. Além dos idiofones de percussão, há os de agitamento formados por recipientes com pequenos grãos, como as maracas; de raspagem, se uma parte raspa a outra (reco-reco); beliscados (quando se belisca as suas lâminas ou arame, no caso da sansa ou do berimbau); idiofones friccionados, se o som é produzido pela fricção do corpo vibrante (harmónica de vidro).

 

Instrumento:

termo que designa todos os dispositivos capazes de produzir sons utilizáveis na execução de música.

 

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J
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K
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L
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M

Matracas:

idiofone constituído por uma pequena tábua rectangular com uma pega no topo onde estão pregadas três pegadeiras de ferro. São usadas no Minho na Semana Santa (anterior à Páscoa), nas "algazarras" do Carnaval, nas "serrações da velha" e nas "troças".

 

Membranofone:

categoria de instrumentos musicais cujo som é produzido por uma ou mais membranas esticadas.

 

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N
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O

Ocarina:

aerofone. A palavra, italiana, significa literalmente "pequeno ganso" . Trata-se de um instrumento de cerâmica da família das flautas globulares, geralmente ovais, com orifícios e embocadura.

 

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P

Palheta:

aerofone tipo charamela, de madeira de buxo com furos melódicos e palheta dupla de cana. Corresponde à "dulçaínha" meideval. É um instrumento pastoril hoje em desuso que se encontrava na Beira Baixa (Monsanto, Idanha-a-Nova).

 

Pandeireta:

instrumento de percussão formado por armação cilíndrica com fendas atravessadas por eixos e discos metálicos na ilharga.

 

Pandeiro:

instrumento de percussão híbrido formado por uma pele sobre armação cilíndrica com fendas atravessadas por eixos e discos metálicos na ilharga. No Algarve é muito usado pelos grupos de janeireiros.

 

Paulitos:

idiofone percussivo constituído por dois paus em forma cilíndrica com cerca de 30-40 cm de comprimento e 3 cm de espessura, de madeira de carvalho ou freixo. A decoração consiste em gravações a ferro quente. Os paulitos são usados nas danças dos pauliteiros de Miranda do Douro e Mogadouro (Trás-os-Montes e Alto Douro).

 

Pífano:

sinónimo de pífaro

 

Pífaro:

aerofone semelhante à flauta, mas mais pequeno e de som estridente.

 

Pifre:

o mesmo que pífaro.

 

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Q
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R

Rabeca:

cordofone friccionado de arco semelhante ao violino e muito usado ainda em Cabo Verde.

 

Rajão:

cordofone popular típico da Madeira que parece uma viola pequena. Tem cinco cordas e um comprimento total de 66 cm.

Rajão, Madeira, Portugal

 

Reco-reco:

também chamado reque, ou reque-reque, é um idiofone de raspagem constituído por uma cana de bambú ou um pau de madeira em forma de cilindro. Uma vara de madeira mais fina raspa a parte que tem saliências, produzindo-se um timbre característico.

 

Rela:

o mesmo que cegarrega.

 

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S

Sarronca:

membranofone tradicional e rudimentar, é constituído por um cântaro de barro que funciona como caixa de ressonância, uma pele que tapa a boca do vaso e um pau fino que trespassa a pele e, ao friccioná-la produz um som grave.

 

Subina:

aerofone, de palheta livre de cana encaixada no tubo melódico. Tem furos melódicos de tipo quadrangular que produz sons de timbre semelhante ao da charamela. Era um instrumento rudimentar de passatempo individual entre pastores na Estremadura.

 

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T

Tambor:

subcategoria de membranofones que pode ter uma ou duas membranas com formatos muito diversificados, cilíndrico, longo, cónico. Podem ter forma de ampulheta, de taça ou de barril.

 

Tamboril:

membranofone com fuste metálico que aparece em Trás-os-Montes e Alentejo, feito artesanalmente pelos próprios tocadores. O tamboril é tocado juntamente com a flauta, sendo um dos conjuntos instrumentais mais arcaicos.

 

Timbalão:

bimembranofone de percussão que aparece em grande parte dos conjuntos das várias regiões de Portugal, nas rusgas, chulas, sendo tocado por zés-pereiras e gaiteiros.

 

Tréculas:

Idiofone composto por dez ou mais tábuas rectangulares de madeira, enfiadas e ligadas por um cordel, com duas pegas nas extremidades. Quando se manipula o instrumento com ambas as mãos, as pequenas tábuas batem umas nas outras produzindo o seu som característico. As tréculas são usadas no Minho nas festividades devocionais da Semana Santa (semana anterior ao dia de Páscoa).

 

Tric-lic-trac:

Idiofone composto de uma tábua de madeira em forma rectangular com três fiadas de pequenos martelos de madeira. O som é produzido por sacudidelas regulares e fortes do instrumento que levam os martelos a baterem todos ao mesmo tempo. Este idiofone tradicional é usado no Minho, por grupos de rapazes, em brincadeiras carnavalescas e na própria Semana Santa.

 

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U
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V

Viola amarantina:

cordofone dedilhado muito utilizado para acompanhar o repertório minhoto, ao qual fornece um suporte harmónico. O bom executante pode acrescentar aos acordes pequenos motivos melódicos.

Viola amarantina

 

Viola beiroa:

cordofone ornamentado e muito arredondado, um dos tipos de viola portuguesa, característico da Beira Baixa. Além das cinco ordens de cordas, possui duas mais agudas, presas a um cravelhal suplementar junto da caixa de ressonância.

Viola beiroa

 

Viola braguesa:

um dos tipos de viola portuguesa, é um cordofone dedilhado artesanal muito popular no Noroeste Português. Tem cinco ordens de cordas duplas, cravelhas dorsais de madeira e boca em forma de raia. É utilizada em situações festivas acompanhando rusgas, chulas e cantares ao desafio, com por outros instrumentos como o cavaquinho, acordeão e rabeca.

Viola braguesa

 

Viola campaniça:

cordofone, tipo de viola popular, com cinco ordens de cordas duplas de arame. Outrora, acompanhava muito os "balhos", "despiques" e o cante alentejano, isto é, os corais polifónicos do Baixo Alentejo.

Viola Campaniça, Alentejo

 

Viola da terra:

cordofone, tipo de viola popular da Ilha de São Miguel, Açores. Tem cinco ordens de cordas, duplas as três primeiras, e triplas as restantes. A boca tem a forma de dois corações.

Viola da Ilha Terceira

 

Viola de arame da Madeira:

cordofone da família das violas portuguesas usado no acompanhamento da "Charamba". Tem cinco ordens de cordas sendo quatro delas duplas e uma simples.

Viola caipira

 

Viola toeira:

cordofone, tipo de viola portuguesa, com três ordens de cordas, sendo duplas as três primeiras. Tem cravelhas dorsais de madeira. A boca é oval e o tampo está por vezes ornamentado com motivos florais embutidos. Na Beira Litoral, concretamente em Coimbra, acompanhava cantares festivos, juntamente com o cavaquinho e a flauta.

Viola toeira

 

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W
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X
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Y
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Z

Zuca-truca:

idiofone constituído por uma cana de bambú, com um boneco no topo e dois bonecos paralelos à cana vestidos com trajes regionais. Um arame no interior da cana provoca, com o movimento da mão do executante, o bater de castanholas pendentes das costas do boneco masculino. É utilizado no Minho, na região de Guimarães. O "brinquinho" da Madeira, introduzido há cerca de um século, é semelhante ao zuca-truca.

 

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BIBLIOGRAFIA

Michel Giacometti. Cascais: Casa Verdades de Faria/Museu da Música Portuguesa 1997. |Guia da exposição|

Cordofones portugueses, de José Lúcio. Porto: Areal Editores 2000, 1ª ed. ISBN 972-627-544-X

TOPO

GLOSSÁRIO ESPECÍFICO

Baqueta: s. f. vara de cabeça arredondada com que se percutem os tambores.

Boca: s. f. cavidade com forma variável existente em instrumentos de corda.

Braço: s. m. parte alongada de certos instrumentos de corda.

Chula: s. f. dança e música tradicional.

Cravelha: s. f. peça de madeira ou de metal com que se esticam ou distendem as cordas para afinar um instrumento.

Cravelhame: s. m. conjunto das cravelhas ou parte onde as cravelhas se encontram.

Fuste: s. m. corpo principal do bombo e do tambor.

Palheta: s. f. lâmina de metal ou de bambú cujas vibrações produzem o som de certos instrumentos de sopro.

Tampo: s. m. parte superior e inferior da caixa de ressonância de um instrumento de corda.

Trasto: s. m. saliência existente em número variável em instrumentos de corda.

Tuna: s. f. conjunto vocal e instrumental composto de instrumentos de corda e outros instrumentos tradicionais.

Voluta: s. f. ornamento em forma de espiral com que termina o braço de certos instrumentos musicais.

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