MELOTECA SÍTIO DE MÚSICAS E ARTES
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2003-2008
> CITAÇÕES
PRINCIPAL VIOLINISTA VERDE, de Chagall NIETZSCHE, de Klee DANÇA DO TEMPO, de Poussin VIOLINO VERMELHO, de Boban
 

CITAÇÕES MUSICAIS DE ESCRITORES

4º Andamento do Concerto para violino de Karl Fiorini, Rotterdam Sinfonietta, Emanuel Salvador, violino, Roberto Beltran, maestro. Gravação ao vivo.
A ópera, graças ao poder da música, afina o sentimento e torna-o apto a bem receber impressões de beleza; aqui o próprio patético se sente à vontade para se exprimir, porque a música o ajuda e o maravilhoso, tão difícil de traduzir no palco, encontra finalmente a forma teatral que lhe convém.

Friedrich von Schiller (n. Narbach 1759; m. Weimar 1805)

Verei se consigo afinar a minha alma por umas toadas que rumorejam de entre as selvas. Dá Deus estas harpas místicas aos arvoredos em benefício dos ânimos conturbados, que se acolhem fugitivos a ermos onde eles cuidam que o Céu os há-de ouvir. Acalentava a música o exasperado Saúl. Bons tempos! A música de agora é irritante. Há pouco entrei no templo: o sacerdote consagrava a hóstia, e o órgão entoava a Traviatta. Santo Deus! Quem quiser música de adormecer dores e levantar a alma à sua origem, há-de pedi-la à vibração e à folhagem das florestas.

Camilo Castelo Branco (n. Lisboa, 16 Março 1825; m. 1 Junho 1890)

Não impeças a música. Que música? Antes de mais, a deste concerto que é a vida humana, onde temos obrigatoriamente de ocupar o nosso lugar, pequeno ou grande. Não somos cigarras que gritam perdidamente nos ramos de pinheiro em longo dia de Verão. Devemos estar atentos ao que se passa à nossa volta: uma boa parte do nosso destino depende da sensibilidade do nosso ouvido, da qualidade da nossa inteligência e do virtuosismo dos nossos reflexos.

Paul Claudel (n. Villeneuve-sur-Fère-en-Tardenois 1868; m. Paris 1955)

A música perfeita tem a sua causa. Ela resulta do equilíbrio. O equilíbrio resulta da justeza, a justeza resulta do sentido do mundo. Assim, não se pode falar de música senão a um homem que reconheceu o sentido do mundo. A música repousa sobre a harmonia entre o Céu e a Terra, sobre a coincidência entre nublado e claro.

Herman Hesse (n. Calw, Würtemberg 1877; m. Montagnola 1962)

Para que é que havemos de falar?... É melhor cantar, não sei porquê... O canto, quando a gente canta de noite, é uma pessoa alegre e sem medo que entra de repente no quarto e o aquece a consolar-nos.

Fernando Pessoa (n. 13 Junho 1888 - m. 30 Novembro 1935)

Quando os rapazes faziam serenatas só a flauta era proibida. Perguntava-me a mim mesmo porquê. Porque era mau para as raparigas ouvirem a flauta à noite.

Ernest Hemingway (n. Oak Park, EUA, 21 Julho 1899; m. Idaho, 2 Junho 1961)

Uma flauta triste vinha de viagem pelo caminho; chorava de seguida imensas canções de choros e tinha acompanhamentos funéreos de guisalhadas surdas. Calou-se a flauta, um cipreste distante gemia baixinho as dores da tatuagem que lhe iam abrindo no peito. O pastor lembrava ali o nome do seu Bem.

José de Almada Negreiros (n. 1893; m. 1970)

Dizem que a criação é demasiado grande para os homens, demasiado grande e damasiado confusa, e que, precisamente por este motivo, se inventou a linguagem. Língua, palavras, e no final das palavras a música. Criação de Deus dissolvida numa poção inventada pelo homem.

Margriet de Moor (n. Noordwijk 1941)

Dança a nossa população, com os seus trajes multicolores, nas pouquíssimas horas livres, que sobram das fadigas do labor agrário e dos esforços da faina piscatória. São desenhos muito puros, em que o corpo participa das cadências espontâneas, executadas por rapazes e por raparigas, exibindo a sua mocidade e galhardia, a sua graça e a sua beleza. E é como se este bailado reproduzisse a agitação que o vento provoca, nas searas, ou a languidez com que se espreguiçam as ondas, nos areais.

Mário Cláudio (n. Porto 1941)

Elias tocava já há mais de meia hora e não se avistava um fim. Mas do caos imenso e escuro sorressaíam gradualmente vozes reconciliadoras. Às melodias, seguiam-se outras melodias, aromáticas e suaves, como as ervas balouçando ao sabor do ventinho da Primavera.

Robert Schneider (n. Bregenz 1961)

 
   
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Criado e desenhado por António José Ferreira