CITAÇÕES MUSICAIS DE ESCRITORES
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4º Andamento do Concerto para violino de Karl Fiorini, Rotterdam Sinfonietta, Emanuel Salvador, violino, Roberto Beltran, maestro. Gravação ao vivo. |
A ópera, graças ao poder da música, afina o sentimento e torna-o apto a bem receber impressões de beleza; aqui o próprio patético se sente à vontade para se exprimir, porque a música o ajuda e o maravilhoso, tão difícil de traduzir no palco, encontra finalmente a forma teatral que lhe convém.
Friedrich von Schiller (n. Narbach 1759; m. Weimar 1805) |
Verei se consigo afinar a minha alma por umas toadas que rumorejam de entre as selvas. Dá Deus estas harpas místicas aos arvoredos em benefício dos ânimos conturbados, que se acolhem fugitivos a ermos onde eles cuidam que o Céu os há-de ouvir. Acalentava a música o exasperado Saúl. Bons tempos! A música de agora é irritante. Há pouco entrei no templo: o sacerdote consagrava a hóstia, e o órgão entoava a Traviatta. Santo Deus! Quem quiser música de adormecer dores e levantar a alma à sua origem, há-de pedi-la à vibração e à folhagem das florestas.
Camilo Castelo Branco (n. Lisboa, 16 Março 1825; m. 1 Junho 1890) |
Não impeças a música. Que música? Antes de mais, a deste concerto que é a vida humana, onde temos obrigatoriamente de ocupar o nosso lugar, pequeno ou grande. Não somos cigarras que gritam perdidamente nos ramos de pinheiro em longo dia de Verão. Devemos estar atentos ao que se passa à nossa volta: uma boa parte do nosso destino depende da sensibilidade do nosso ouvido, da qualidade da nossa inteligência e do virtuosismo dos nossos reflexos.
Paul Claudel (n. Villeneuve-sur-Fère-en-Tardenois 1868; m. Paris 1955) |
A música perfeita tem a sua causa. Ela resulta do equilíbrio. O equilíbrio resulta da justeza, a justeza resulta do sentido do mundo. Assim, não se pode falar de música senão a um homem que reconheceu o sentido do mundo. A música repousa sobre a harmonia entre o Céu e a Terra, sobre a coincidência entre nublado e claro.
Herman Hesse (n. Calw, Würtemberg 1877; m. Montagnola 1962) |
Para que é que havemos de falar?... É melhor cantar, não sei porquê... O canto, quando a gente canta de noite, é uma pessoa alegre e sem medo que entra de repente no quarto e o aquece a consolar-nos.
Fernando Pessoa (n. 13 Junho 1888 - m. 30 Novembro 1935) |
Quando os rapazes faziam serenatas só a flauta era proibida. Perguntava-me a mim mesmo porquê. Porque era mau para as raparigas ouvirem a flauta à noite.
Ernest Hemingway (n. Oak Park, EUA, 21 Julho 1899; m. Idaho, 2 Junho 1961) |
Uma flauta triste vinha de viagem pelo caminho; chorava de seguida imensas canções de choros e tinha acompanhamentos funéreos de guisalhadas surdas. Calou-se a flauta, um cipreste distante gemia baixinho as dores da tatuagem que lhe iam abrindo no peito. O pastor lembrava ali o nome do seu Bem.
José de Almada Negreiros (n. 1893; m. 1970) |
Dizem que a criação é demasiado grande para os homens, demasiado grande e damasiado confusa, e que, precisamente por este motivo, se inventou a linguagem. Língua, palavras, e no final das palavras a música. Criação de Deus dissolvida numa poção inventada pelo homem.
Margriet de Moor (n. Noordwijk 1941) |
Dança a nossa população, com os seus trajes multicolores, nas pouquíssimas horas livres, que sobram das fadigas do labor agrário e dos esforços da faina piscatória. São desenhos muito puros, em que o corpo participa das cadências espontâneas, executadas por rapazes e por raparigas, exibindo a sua mocidade e galhardia, a sua graça e a sua beleza. E é como se este bailado reproduzisse a agitação que o vento provoca, nas searas, ou a languidez com que se espreguiçam as ondas, nos areais.
Mário Cláudio (n. Porto 1941) |
Elias tocava já há mais de meia hora e não se avistava um fim. Mas do caos imenso e escuro sorressaíam gradualmente vozes reconciliadoras. Às melodias, seguiam-se outras melodias, aromáticas e suaves, como as ervas balouçando ao sabor do ventinho da Primavera.
Robert Schneider (n. Bregenz 1961) |
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