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Janeiras

Na linha das tradições musicais portuguesas e no âmbito de Educação Musical e de Música, os Cantos dos Reis e das Janeiras podem ser manifestação de alegria e votos de bom ano a toda à comunidade educativa.

Se as quadras forem preparadas com os alunos, a actividade fomenta a criatividade e o gosto da poesia.

Nas escolas e nos agrupamentos podem ser adaptadas às circunstâncias. Se o professor de Música tiver facilidade para fazer poesia de cariz popular pode criar com os alunos janeiras adequadas às cicunstâncias.

Esta casa é tão alta

Esta casa é tão alta,
É forrada de papelão.
Aos senhores que cá moram,
Deus lhe dê a salvação.

Boas noites, meus senhores

Boas noites, meus senhores,
Boas noites vimos dar.
Vimos pedir as Janeiras
Se no-las quiserem dar.

Aqui vimos, aqui vimos,
Aqui vimos bem sabeis.
Vimos dar as boas festas
E também cantar os reis.

Ano Novo, Ano Novo,
Ano Novo, melhor ano.
Vimos cantar as Janeiras
Como é de lei cada ano.

Levante, linda senhora
Desse banquinho de prata.
Venha-nos dar as Janeiras
Que está um frio que mata.

As Janeiras são cantadas
Do Natal até aos Reis.
Olhai lá por vossa casa
Se há coisa que nos deis.

Viva lá, minha senhora

[ Assobio ]

Viva lá, minha senhora,
Raminho de salsa crua.
Quando chega à janela
Põe-se o sol e nasce a lua.

Viva lá minha senhora
Linda boquinha de riso,
Linda maçã camoesa
Criada no paraíso.

Ó que estrela tão brilhante
Que vem dos lados do norte.
À família desta casa
Deus lhe dê a melhor sorte.

De quem é o anel d’oiro
Com pedrinhas no Redol.
É do menino João
Que é bonito como o sol.

Viva lá menina Rita.
Suas faces são romãs.
Seus olhos são mais galantes
Do que a estrela da manhã.

Ó que estrela tão brilhante
Que vem dos lados do norte.
À família desta casa
Deus lhe dê a melhor sorte.

A silva que nasce à porta
Vai beber à cantadeira.
Levante daí senhora
Venha-nos dar a Janeira.

Alegrai-vos companheiros
Que já sinto gente andar.
É a senhora da casa
Que nos vem a convidar.

Ó que estrela tão brilhante
Que vem dos lados do norte.
À família desta casa
Deus lhe dê a melhor sorte.

[ assobio ]

Esta noite é de janeiras

Esta noite é de Janeiras.
Cantemos com alegria.
Já nasceu o Deus Menino
Filho da Virgem Maria,

Filho da Virgem Maria
Numas palhinhas deitado.
Deu à luz esta criança
O Deus Menino Sagrado.

Estou a ver a dona de casa
Pelo buraco da fechadura.
Venha-me dar a esmola
Que o frio já não se atura.

Quando vinha aí em baixo
Topei com uma cortiça.
Logo o meu coração disse
Que aqui davam uma chouriça.

Autor: Diogo Graça Carolino
Alvalade - Sado

Senhora dona de casa

Refrão:

Senhora dona de casa
Deixe-se estar que está bem.
Mande-nos dar a esmola
Pela rosa que aí tem.

Abram-se lá essas portas
Ainda não estão bem abertas
Que nasceu o Deus menino
Vou-lhe dar as boas festas.

Boas festas meus senhores
Boas festas lhes vou dar.
Que nasceu o Deus menino
Nesta noite de Natal.

Nesta noite de Natal
Noite de santa alegria
Já nasceu o Deus menino
Filho da Virgem Maria

Vamos cantar as janeiras

Vamos cantar as janeiras,
Vamos cantar as janeiras 
Por esses quintais adentro vamos 
Às raparigas solteiras.

Vamos cantar orvalhadas,
Vamos cantar orvalhadas.
Por esses quintais adentro vamos 
Às raparigas casadas.

Vira o vento e muda a sorte, 
Vira o vento e muda a sorte.
Por aqueles olivais perdidos 
Foi-se embora o vento norte.

Muita neve cai na serra,
Muita neve cai na serra.
Só se lembra dos caminhos velhos 
Quem tem saudades da terra.

Quem tem a candeia acesa,
Quem tem a candeia acesa.
Rabanadas pão e vinho novo 
Matava a fome à pobreza.

Já nos cansa esta lonjura, 
Já nos cansa esta lonjura. 
Só se lembra dos caminhos velhos 
Quem anda à noite à ventura.

José Afonso

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