MELOTECA SÍTIO DE MÚSICAS E ARTES
.
2003-2008
> ARTIGOS
PRINCIPAL VIOLINISTA VERDE, de Chagall NIETZSCHE, de Klee DANÇA DO TEMPO, de Poussin VIOLINO VERMELHO, de Boban
 
 
JORGE LIMA BARRETO
TUGAJAZZ
por Jorge Lima Barreto

Em Portugal, o Jazz anterior aos anos de 1970, excluindo os auspícios  do encontro entre Amália Rodrigues e Don Byas, era produto raro e sem  expressão internacional, havendo alguns distintos praticantes de  ocasião. Ao emigrarem, e ainda hoje assim acontece, os músicos  portugueses foram-se destacando, e o caso de Jean Saheb Sarbib,  contrabaixista, compositor, orquestrador, em Paris, depois em Nova  Iorque, nas décadas de 1970/80, é paradigmático. Sediado em Lisboa,  Rão Kyao, sax e flauta, da geração de Sarbib, e antes de ter  divergido para  a fusão world music, foi o mais decisivo músico  português de Jazz, num discurso modalista seminal.

Nos anos 1980  surgiu a figura epigramática de António Pinho Vargas, pianista  compositor, o mais erudito. Na década final do século anterior, o jazz português ( melhor: o jazz  criado por portugueses), entrou numa via neomodernista com o Sexteto  de Jazz de Lisboa, o quarteto de Pinho Vargas, agrupamentos de José  Peixoto, Laginha, Mário Barreiros, Laurent Filipe, Moreiras Jazztet,  e uma pleiâde de vocalistas como Maria Viana ou Maria João, estas com  grande sequela feminina no início do Séc. XXI.

Faltou ao jazz português uma capacidade de visão historicista, pois  nâo há praticantes de jazz clássico, minimizado por um leque  instrumental acústico e electro-acústico, de estilismo taxativo e  muitas vezes descambando para a músca ligeira e outros compromissos  funcionais com músicas populares ou tradicionais e, no mais decadente  plano da propaganda.

Recentemente implementou-se uma maior capilaridade com o Jazz  internacional, especialmente europeu, e casos como Carlos Barretto,  B. Sassetti, Carlos Bica, M. Laginha, Maria João, José Eduardo, e.a.,  são epigonais. Muito embora se apontem indícios da restauração modal, fantasias  etno, arrufos vanguardistas, conexões jazz-rock, assomos third  stream, concessões ao tradicionalismo nacional, caso do fado,   fundamentalmente predomina o  transconservadorismo praticado por  excelentes profissionais (e.g. os saxofonistas José Nogueira, Mário Santos, Pedro Moreira; os  pianistas, João  Paulo, Pedro Guedes, Pedro Gomes, André Sarbib; os  contrabaixistas António Ferro, Bernardo Moreira, Pedro Gonçalves,  Nelson Cascais; os trompetistas João Moreira, Tomás Pimentel; os  bateristas, Bruno Pedroso, Acácio Salero, José Salgueiro, André Sousa  Machado, Marco Franco; as vocalistas Maria Anadon, Fátima Serro, Ana  Paula Oliveira; os guitarristas Mário Delgado, Pedro Madaleno, Nuno  Ferreira, Afonso Pais; e.a.; todos eles foram titulares de  interessantes combos ou orquestras e editaram discos relevantes;  acontece que a Orquestra de Jazz de Matosinhos se tem mostrado um  conjunto perene).

Também o  panorama local do Jazz no século decorrente,  foi  contaminado pela nova música improvisada e pelo revivalismo free numa  controvérsia da apropriação do rótulo "jazz".

Entendemos, ainda, por Jazz, uma criação musical morfogeneticamente  afim da música afroamericana. O Hot Club de Portugal, um dos mais antigos da Europa, é o altar  desta vivencia jazzística; L. Villas-Boas, José Duarte e Rui Neves  estarão entre os mais importantes dinamizadores do Jazz "português".


Eis uma discografia sumária que pela sua redução a 25 títulos não  pode ser integral ou sequer pretender ser ortodoxa e emblemática..

Amália Rodrigues & Don Byas - "encontro" (r: 1968 - 1988)

Kyao, Rão - " Goa" (1976); "ritual" ( 1977; r: 2000)

Vargas, António Pinho - "outros lugares" (1983); "jogos do mundo" (1989)

Sarbib, Jean Saheb - "seasons", (1984); "Multinacional Big Band", (1984)

Eduardo, José - "onix" (1989); "jazzar em Zeca Afonso" (2004)

Filipe, Laurent -   divertimento for Duke & Monk (1993) ~

João, Maria - +/ Aki Takase - " looking for love + NOP"(1988); c/ M. Laginha - "danças" (1991)

Carlos Paredes+Charlie Haden - (1990)

Laginha, Mário - "cem caminhos / conversa" (1991); "quarteto" (1994)

Peixoto, José - "taifa" (1994)

Sassetti, Bernardo - "indigo" (2003)

Martins, Carlos - + Cindy Blackman- "passagem" (1996)

Bica, Carlos - "azul" (1999)

Ferreira, Nuno - "long distance calls" (2000)

Carlos Azevedo Decateto ( 2000)

Barreto, Carlos - "locomotve"+ J-F Cornelloupe - (2002) "Lisbon  Improvisers Players" -  "live at meskla" (2002)

Telectu- "Quartetos" + G. Hemingway / E. Prévost / S. Murray - (2002)

Delgado, Mário - "filactera" (2003)

André Fernnandes - "howler" (2003)

Jorge Lims Barreto

SPA

 
TOPO
 
 
Criado e desenhado por António José Ferreira